sábado, janeiro 30, 2016

Pastilla

Hoje estou no Continente e folheio o livro novo da Bimby. Vejo que tem uma receita de Pastilla, que é o prato que me faz salivar só de pensar na sua existência.

E, sem hesitar, saco do telemóvel e fotografo. Apercebo-me daí a um minuto que só fotografara a parte dos ingredientes. Volto para trás, procuro a parte da preparação e volto a fotografar.

Isto tudo carregando no carrinho uma criança discreta, que me ia perguntando "o que é que estás a fazer?", "porque é que estás a tirar fotografias?" e outras pertinências como "compras-me um popó?" ou "quero ir para a caixa sua badalhoca." 

E, no fim, apercebo-me que nem olhei à volta, cheguei, vi e fotografei. 

Anuncio, assim,a tão ansiada chefada do momento em que estou a meio passo de me tornar naquelas velhas que passam na caixa com um faneco de pão, uma lata de atum e os bolsos cheios de Dr. Bayard.

Karvela

segunda-feira, janeiro 25, 2016

Estão a deseducar-me o meniiiiino!

Na sua ainda pueril eloquência o camarão canta-me hoje esta canção:

A minha mãe mandou-me à loja
Comprar um copo de vinho

A noite é escura
Tenho medo do caminho

A noite é escura 
Tenho medo do papão

Portanto temos uma melodia que retrata uma mãe tão fiadaputa de pobre e tão em ânsias por beber que manda o filho já de noite comprar um copo - não uma garrafa, muito menos um garrafão - de vinho. 

Esta senda da taberna para casa e de casa para a taberna atira-o diretamente para os braços do papão (conceito que até agora ele desconhecia, obrigadinhes!) e lá vem a criança, copo de vinho na mão, tremelicando de pavor. 

Ninguém fica feliz nesta história: o puto apavorado e a mãe com menos de meio copo de vinho.

Karvela

sexta-feira, janeiro 15, 2016

Pessoas que eu detesto. Um poema.

Ligas para um sítio
Precisas de algo perguntar
Porque não sabes tudo na vida
Não é preciso humilhar

Respondem-te, condescendentes
Começam com "Minha Senhora"
E eu no fundo estou a rogar
Que no cu se lhes enfie uma cenoura

Jovem, se lês isto
Aprende a ser educado
Antes simples que uma besta
Mas antes bruto que drogado




domingo, janeiro 10, 2016

Grimma-mos!

Cinderela: uma estúpida desastrada, passa a vida a levar nos cornos da madrasta e das feiosas, arranja convite para ir a um baile de betos, perde um sapato e abeira-se um daqueles cuja mãe e o pai devem ser primos direitos e diz "ah e tal este sapato serve-te" e ela "serve porque eu tenho um pé de criança, as pessoas com pés normais e com peso aceitável não conseguem calçar estas chancas de vidro da Marinha Grande" e ele "daddy like". 

Nojento.

Karvela

quinta-feira, janeiro 07, 2016

Era mazera matá-los a todos

Ouvido num corredor:

"Você sabia que, na altura dos ataques em Paris, a banda estava a tocar um hino ao diabo? UM HINO AO DIABO? Era matá-los todos! Isso não se faz! Quer dizer... eu só vi o que estava na imprensa, não conheço a banda."

Para contexto, os idosos perigosos:


Karvela

Méquié?

Então parece que uma pessoa sai do marasmo de trabalhar em casa e passa para o frenesim de trabalhar fora de casa. Sou pessoa para apreciar ambos, quer o marasmo quer o frenesim, mais o frenesim que o marasmo, exceto aos sábados à tarde quando a opção é a) dormir a sesta ou b) arrancar os cabelos, fio a fio. 

Dito isto, parece que fiz novas amizades (nojo!) e que agora até tenho um gabinete e até trabalho num sítio de gente séria. Pior dos nojos: parece que estão a gostar de mim o que significa que estou aqui, na volta, para ficar algum tempo.

O que eu fazia lindamente era ressuscitar o blog com estórias deste gajedo. 

Vou pensar nesse pedido que estão a formular nas vossas cabeças pequenitas, tá?

Karvela

sábado, setembro 26, 2015

Ceci n'est pas un cagalhon

Quando ele disse, orgulhosamente, olhando para o bacio:

- CAGUEI!

eu ainda hesitei mas em segundos percebi que as crianças precisam de muito reforço positivo e por isso, ao invés de corrigir o vernáculo, elogiei a utilização correta do pretérito.

Karvela

quinta-feira, julho 16, 2015

Professor Bambo Chata

Pequeno Camarão contempla as suas fezes e exclama:

"Uma banana inteira"
"Bolinhas!"
"Um macaco"
"Batatas fritas"

Não é que esse povo já não pulule por aí mas ele será, suponho, o verdadeiro vidente de merda.

terça-feira, junho 16, 2015

Coisas da infância que aqui ficaram e de vez em quando saem #4981321

O problema é que dai em diante a Ivone passou a ficar associada a pessoa que se caga só porque tive o azar de entrar na padaria um minuto depois dela, num dia de Inverno em 1989.

sábado, junho 13, 2015

Só falta apanharem-nos a fumar!

Pequeno passa a noite na casa da avó. E os pais aproveitam para ir aos santos e regressar ao fim de duas horas porque "há muita gente" (no shit!), dormir 9 horas mas ainda assim planear uma sesta, almoçar no sofá ("papar é na cadeirinha ou na mesa!") e ver maratonas de Keeping Up With The Kardashians ("Não se vê televisão na hora da papa!"). 

Somos exemplos de loucura completa, nós. #mausexemplos

Karvela

sexta-feira, junho 12, 2015

Santo António, santo Antoninho, já me apalparam o marmelinho

O poder transformador do Santo António revela-se na transmutação da frase 'Vou aos santos!', exclamada efusivamente às quatro da tarde nas afirmações "está frio", "está calor", "estamos na Sé e eu não ponho os pés no chão desde o campo das cebolas", "vamos para casa" a partir das 20h.

Milagre!

Karvela

quinta-feira, maio 28, 2015

Chatas!

Dizem as histéricas que não venho cá há um ano. Pois uma pessoa ou bem que acaba teses ou bem que alimenta o bicho. 

Falando em alimentar o bicho, sabem aquelas pessoas que se vestem como se a feira da ladra lhes tivesse vomitado em cima? Pá, detesto-as.

Boa noite e até daqui a um ano. 


sábado, maio 31, 2014

Mamila Jadeira

A Jamila Madeira precisa de apanhar sol e comer uma sande. Aquilo de estar na cripta e só sair quando há um evento do PS já chateia. A cripta fecha por fora e só quando já vão a caminho do Congresso é que o Assis se apercebe que tem um lugar vago no carro é que grita "Epá alguém se lembrou de abrir o trinco à Jamila?" e lá vai o Galamba, que tem um brinco e por isso é menos impressionável abrir a porta à garota. Depois dá-lhe um beijinho mas com cuidado que ela tem os ossos tipo vidro por falta de vitamina D, dá-lhe um Bongo e diz que vamos ver o Senhor Secretário-Geral e lá vai ela, meio sorriso na cara e esperança que seja desta que alguém lhe dê um cargo ou uma sopa.

Karvela 

sábado, março 22, 2014

O Baby Tv agasta-me

O Henrique vai ao restaurante. Todas as vezes que lá vai não come porque o restaurante não tem a comida. Depois vai à mercearia e na mercearia também não têm. Acaba no campo a ir buscar ele próprio a comida. Porque continua Henrique a ir ao restaurante? Porque insiste na mercearia da Alemanha de Leste? Porque não vai ele directamente ao produtor? E o restaurante paga-lhe para fazer as compras? Ao menos oferece-lhe a tarte de mirtilos?  

Depois há lá uns ovos muito drogados. É um grupo de ovos todos vestidos às cores. E lá no meio há um ovo branco. E eles que não, que tens que te vestir às cores, que assim estás feioso. E vestem-no de sol ou de coruja. Estamos no Trumps, senhores? A seguir vestem-no de quê? De Ru Paul? De Belle Dominique? De Ana Malhoa?

E depois há isto. Era esta música que as gémeas trauteavam nos corredores do hotel do The Shining.  





Felizmente atravessámos o oceano de bebé e estamos agora na fase Panda. Pelo menos aí posso ver o Pocoyo (porque fofo) e posso gozar com os Caricas. Que adulto com amor-próprio rouba a cadeira ao puto? E a de amarelo tem que andar sempre com as pernas abertas? Esqueçam, já estou agastada com o Panda também. 

Karvela

quarta-feira, março 19, 2014

Menisquem-mos!

Há coisa de 17 meses, era o Pequeno Camarão ainda pouco mais do que um feto, uma tia do Kramer vê-me amamentar e diz "aaaaai filha quem me dera ter conseguido... Mas tenho os bicos para dentro! Queres ver?". E, sem esperar pela resposta, levanta a camisola e pimbas magníficas mamas pós-menopausicas. Ora, o Kramer não foi à tropa mas viveu ali um momento de napalm genital. Eu ouvia o adágio para cordas enquanto o meu helicóptero sobrevoava a casa e lá estava ele, apanhado por uma onda de constrangimento, gritando "estragaram a coisa que eu mais adoro! Selvagens!".

Ora ontem, cinco dias volvidos de uma artroscopia ao joelho, aventuro-me para fora de muros de Campo Karvela e enconto a tal tia.

"Então filha, estás melhor?"
"Já estou fina. Quer ver?"
"Eh..."
"Não não! Da outra vez mostrou-me as mamas, agora há-de ver-me as cuecas." *calças para baixo*

Sou como uma aliá, gigantesca e com boa memória. 

Karvela