sábado, Março 22, 2014

O Baby Tv agasta-me

O Henrique vai ao restaurante. Todas as vezes que lá vai não come porque o restaurante não tem a comida. Depois vai à mercearia e na mercearia também não têm. Acaba no campo a ir buscar ele próprio a comida. Porque continua Henrique a ir ao restaurante? Porque insiste na mercearia da Alemanha de Leste? Porque não vai ele directamente ao produtor? E o restaurante paga-lhe para fazer as compras? Ao menos oferece-lhe a tarte de mirtilos?  

Depois há lá uns ovos muito drogados. É um grupo de ovos todos vestidos às cores. E lá no meio há um ovo branco. E eles que não, que tens que te vestir às cores, que assim estás feioso. E vestem-no de sol ou de coruja. Estamos no Trumps, senhores? A seguir vestem-no de quê? De Ru Paul? De Belle Dominique? De Ana Malhoa?

E depois há isto. Era esta música que as gémeas trauteavam nos corredores do hotel do The Shining.  





Felizmente atravessámos o oceano de bebé e estamos agora na fase Panda. Pelo menos aí posso ver o Pocoyo (porque fofo) e posso gozar com os Caricas. Que adulto com amor-próprio rouba a cadeira ao puto? E a de amarelo tem que andar sempre com as pernas abertas? Esqueçam, já estou agastada com o Panda também. 

Karvela

quarta-feira, Março 19, 2014

Menisquem-mos!

Há coisa de 17 meses, era o Pequeno Camarão ainda pouco mais do que um feto, uma tia do Kramer vê-me amamentar e diz "aaaaai filha quem me dera ter conseguido... Mas tenho os bicos para dentro! Queres ver?". E, sem esperar pela resposta, levanta a camisola e pimbas magníficas mamas pós-menopausicas. Ora, o Kramer não foi à tropa mas viveu ali um momento de napalm genital. Eu ouvia o adágio para cordas enquanto o meu helicóptero sobrevoava a casa e lá estava ele, apanhado por uma onda de constrangimento, gritando "estragaram a coisa que eu mais adoro! Selvagens!".

Ora ontem, cinco dias volvidos de uma artroscopia ao joelho, aventuro-me para fora de muros de Campo Karvela e enconto a tal tia.

"Então filha, estás melhor?"
"Já estou fina. Quer ver?"
"Eh..."
"Não não! Da outra vez mostrou-me as mamas, agora há-de ver-me as cuecas." *calças para baixo*

Sou como uma aliá, gigantesca e com boa memória. 

Karvela 

domingo, Fevereiro 16, 2014

Partiu!

Apesar de naba em diversas áreas da vida, apresentando dificuldades em actividades tão variadas como chegar a sítios sem usar o atalho Badajoz-Covilhã, ir à praia sem guinchar 'Não vou à água que tem ondas. O mar está frio. Não gosto da areia. Está calor. Está a ficar fresco. Tenho fome.' ou evitar a lesão em mobiliário comum a cada 18.3 minutos, Karvela orgulhava-se de ser uma hábil utilizadora de máquinas, computadores e outros pequenos domésticos (não obstante a avaria frequente dos ditos, nomeadamente ao nível da queda),  explicando frequentemente a outras pessoas que o play é sempre aquele símbolo e o desligar também e o rewind também e o fast forward também e o rec também. Não foi por isso sem surpresa que se apercebeu que afinal prefere perder-se a caminho de casa do que ser a senhora que no curso de culinária da bimby se queixa que não conseguiu fazer  iogurtes, as natas não montaram, as claras babaram, a sopa ficou crua e, perante uma formadora em crescendo de frustração, 'venha cá triturar estes coentros com o ovo para fazer a maionese e veja como é fácil', só de tocar na máquina partiu a lâmina*. Ao mesmo tempo Karvela pensou que se calhar há gente que não foi feita para mexer em máquinas e não valia a pena dizer amiga é só seguir as receitas, se a bimby fosse mais para dummies precisavas de um atestado médico para a comprar naquelas lojas dos velhinhos, juntamente com as cadeiras de subir e descer escadas e os andarilhos e as muletas. À saída Karvela deu com o chapéu de chuva na cara, mordeu a bochecha enquanto comia o resto de sandes porque as porções oferecidas não puxavam a carroça do seu filho quanto mais do corpo crescido para as bermas de uma parideira, não se perdeu porque trabalhou durante anos na zona do curso - não que esse facto se revestisse de particular importância - e, bónus, atropelou um rato do campo à chegada. E ainda assim Karvela sorriu porque enquanto houver livros de instruções e gps, conselheiros do Senhor e aquelas mangueiras de esguicho que tiram restos de rato das jantes, Karvela não perde o pé. Já a senhora que partiu uma bimby tenho para mim que ainda está às voltas na rotunda da makro.

Karvela 

* ligeiros exageros à parte, história verdadeira! A lâmina partiu-se quando a mulher se chegou à bimby! No fundo invejo-a porque eis algo que nem eu consigo avariar.

sábado, Fevereiro 15, 2014

O fail continental deste mês

É com gáudio, júbilo e mesmo coiso que anuncio que desta feita o fail não foi meu. Chegam as compras, farinha de quilo, excelente. Fruta fui à praça que não tenho saúde para camadas de nervos. Até que chegamos ao algodão.


Notem que diz ali em pequenino 200gr. Como tudo na vida, a perspectiva é essencial. 


É do tamanho da tampa da sanita, pessoas! 
Tenho algodão até 2023.

Karvela 

quarta-feira, Fevereiro 05, 2014

Alésbica ao pó

Às vezes fico espantada com as história de alergias que vêm dos EUA. Eu não conheço pessoas que andem com uma caneta de epinefrina por causa dos frutos secos. Vocês conhecem? E noutras partes do mundo? Haverá histórias de família acerca do tio Rajiv que caiu para o lado depois de comer um amendoim? Será que em sítios onde a comida escasseia o gajo que é alérgico é gozado porque é o esquisito da aldeia? Andarão atrás do Mamadu com uma pecan para ver se ele incha como um sapo? 

Não, a sério, conhecem alguém com uma alergia severa, dessas de matar e coiso, ou são os amaricanos que andam a beber água com amoníaco há 50 anos?

Karvela

quarta-feira, Outubro 16, 2013

Gloria mundi

Por muito que eu queira ser boa blogger blogueira blogadeira pessoa que escreve larachas na interwebes, a minha vida está consumida numa fogueira de tese e garoto. Tenho para mim que os nazis do tempo também jogaram para o fogo aquele livro onde explica que as pessoas decentes tomam duche todos os dias e aquele que diz que se lava os dentes três vezes por dia e o outro da socialização com seres humanos com mais de um ano. Acaba-se-me periodicamente tudo em casa porque ir às compras é um luxo supérfluo a não ser que estejamos a falar de coisas lésbico-chic ou budget-homeless ou Cheapy McNasty na Primark que aí já vou, ai se vou, iludida com um tamanho que já não é o meu mas ainda assim compra-se porque daqui a um mês eu já tenho menos dois quilos, na boa, apesar de algumas ceias consistirem em natas batidas com açúcar, bato-as à mão que não atino com bater natas na bimby. Não fico indiferente à expressão bato-as à mão e ficamos assim. E depois ele sorri para mim e eu noto que já é octodente apesar de bidente em baixo o que significa que é hexadente em cima, parece a muralha do Castelo dos Mouros, para meu gáudio e loles diversos que tenho que aproveitar que ele ainda não entende e eu não lhe quero dar um complexo. Afinal não se me acabou absolutamente tudo em casa, tenho natas, fui ver. E depois é o outro que anda a fazer judo e chega a casa e começa a falar-me japonês e a treinar movimentos comigo e eu sou uma pessoa de joelho fraco e nervos delicados e fico arrumada para o dia. Estou tão sozinha.

Karvela 

quinta-feira, Agosto 22, 2013

Ponto de situação

Por aqui o Pequeno Camarão está igual aos outros bebés. Surpresa do camandro, não? O Tiny Shrimp não é especial, é só alto. Não, a sério, é gigante. De assinalar o seu gosto cleptomaníaco por comandos que funcionem, a recusa em rasgar revistas que não sejam estritamente actuais (pobre Nova Gente!), a dança quando lhe dizemos "Benfica! Benfica!" (e em boa verdade quando lhe dizemos qualquer coisa naquele tom... "Sandália! Sandália!") e dizer mamã em loop, tipo mamamamamamamamamama (calem-se, diz mamã!). Fica acordado sete horas seguidas à tarde apenas para estar exausto à hora de jantar e comer com um olho aberto e o outro fechado. Caga num canto específico da sala, perde-se atrás do cortinado e não mede bem a distância entre a cabeça e o pé da mesa. 

E nisto já se foi quase um ano. Um ano em que o Lagostim sofreu muito porque não há tempo para tudo. Ou para nada. Há tempo para trabalhar, fazer cenas em casa e perseguir um ser descontrolado das emoções - que também não as tem há muito tempo, nasceu com elas novas a estrear - que tão depressa ri como chora e que se peida como um cavalo.

Também o advento da verticalidade do Pequeno Camarão trouxe consigo um cansaço que só conhecera nos momentos de noites dormidas em tranches, típicas do início de vida do garoto. As outras falam das filhas, que lhes fez a psicanálise que não tiveram e trouxeram luz por dentro e o caralho. Ou do outro que é prematuro e não mamou na teta porque Nosso Senhor nos livre de fazer as coisas da forma mais simples. E da outra que é fashion porque usa folhos e cor-de-rosa e guizos à volta do pescoço para não atrapalhar a mamã quando está a emborcar. Podem juntar-se todas numa taça gigante e fazer um bolo de merda.

Um forte abraço a todos e lá para 2020, quando ele adormecer, eu volto a escrever coisas bonitas. 

Karvela

terça-feira, Agosto 13, 2013

Estereótipos infantis 101

Hoje fui passear o Pequeno Camarão. A meio do passeio encontramos uma garota com mais um mês que ele. Ao lado, o shor Fernando empilhava o seu habitual carrinho de mão com tralha avulsa, causando abundante cagaçal.

A miúda bem tentava. E era agarranços. E era marradas fofas. Mas o Camarão, como verdadeiro macho, não desolhava do material das obras, gargalhando maniacamente a cada catrapam de entulho. Um espertalhão, deixou-a toda maluca. 

É isso ou vai ser daqueles que aprecia o trolha, o índio, o polícia, o cóboi, o tropa e o do cabedal.

Karvela [edição pelas 21h do mesmo dia: pelas 20h30 o Pequeno Camarão afiambrou-se ao comando da Zon e tentou assinar a Sport Tv. Só por causa das tosses.).

quinta-feira, Agosto 01, 2013

Histéricas!

Só para esclarecer a minha posição acerca disto dos cães que atacam e matam e esfolam e ainda nos chamam Cleuzineide. 

1) Com o mal dos outros estou eu bem, não entro em histerias menstruais em relação a cães e crianças que não são parte da minha família. 
2) Se o Óscar um dia magoar o Pequeno Camarão vai janela fora. 
3) Felizmente amam-se, é bonito de ver.
4) A culpa, em caso de haver problemas, é sempre exclusivamente dos adultos que não entendem que às vezes cães e crianças não dá.

Karvela

quarta-feira, Julho 31, 2013

Baby post. Alert. Alert. ALERT!

Ó gentalha, eu até gostava de dizer que nada muda e que continuo a viver a vida desregrada, sidosa e dependente de substâncias diversas que tinha antes, mas olhem, lamento. Isto de ter um puto dá trabalho. Felizmente não é bem o puto que dá trabalho, é mais o resto que fica por fazer. Portantos, tenho um Pequeno Camarão, lindo, betíssimo com os seus folhos e rendas, limpo e cheiroso. Ou com uma t-shirt dos Led Zeppelin, calças de ganga e pé descalço, coberto de migalhas de bolacha e com pêlos de cão e de gato agarrados aos joelhos, aquilo que vos parecer mais credível vindo da minha parte.

À volta empilham-se pratos e copos e lixo e algures há-de estar uma colher de pau que preciso para mexer os jantares que não tenho tempo de fazer. Agora já gosto da Bimby. Também tenho roupa, tanta roupa. Nada que me sirva porque é para 12 a 18 meses. Não que ele tenha 12 a 18 meses mas não tenho culpa de ter parido um Zé Pereira. Eia bem, se ele se chamasse mesmo José Pereira e fosse daquele tamanho era coisa para lhe render um mundo de dor na adolescência.

Entretanto, parte daquele primeiro parágrafo estava em rascunho, foi escrito numa altura em que o puto não gatinhava e, portanto, esqueçam lá isso de ele não dar trabalho. É preciso é ir afastando coisas mais ou menos palpáveis como comandos, lápis e electricidade.

Entretanto meia blogosfera, como diria o meu rico Piston, está a parir e por isso a perder a piada. A Pipoca já se pôs a jeito com a história de não amamentar. É bem feita, fique calada. Vê lá se eu vim para aqui contar essas merdas. Nem acho que as pessoas mereçam respeito pelas suas opções, acho só que ninguém tem nada que ver com a vida alheia. Toda a minha filosofia espiritual em relação às escolhas pessoais baseia-se mais em tédio e em desinteresse que em respeito. É um dom.

Depois estar a fazer uma tese sobre direitos das crianças não ajuda, fico paradoxal, toda paradoxal. Daqui a uns anos vou ter que lidar com um pirralho a reivindicar merdas "ah eu tenho direitos e o camandro" e eu vou ser forçada a fazer o exercício mental sofisticadíssimo de "castigos corporais tudo bem, falar sobre eles no blog sem a sua autorização é que não!"

São 10h30, o meu dia começou às 6h30. Era só.

Karvela

Conselho especializado

Well's, Julho de 2013. Compro uma coisa para ver se fico super magríssima durante Agosto.

Karvela - Então vamos ver se isto funciona.
Garota da Well's - Já sabe, isto funciona bem é com exercício.
Karvela *já arrependida porque fazer exercício para ficar super magríssima parece-lhe errado* - Pooooois... eu... eu... errmm... vou ver se faço, sim...
Garota da Well's - E tem que beber muita água, não se esqueça, muita água!
Karvela - Ah pronto, isso sim, farto-me de beber água. Se tiver calor chego a beber dois litros.
Garota da Well's - Também não beba água a mais.
Karvela - Mas... mas... eu tenho sede...
Garota da Well's - Pois, mas faz retenção de líquidos e incha.
Karvela - Mas disse-me para beber muita água.
Garota da Well's - Mas não demais.

Helpful.

Karvela (se até dia 15 de Agosto não estiver super magríssima fecho-me num quarto cinco dias e espero.)

segunda-feira, Julho 29, 2013

Oh, the magnificent pun

Ontem vejo uma rapariga conhecida a conduzir um autocarro. Pelas minhas contas já o faz há uns dez anos. Está melhor que eu... pelo menos tem uma carreira.

Karvela 

quarta-feira, Junho 26, 2013

FarinhaGate

Há-de chegar o dia em que eu hei-de parar de fingir que sei encomendar compras pela Internet. 

Chegam as compras. E eu vejo um saco e fico tão feliz mas tão feliz porque, porra! consegui encomendar a quantidade certa de queijo:



Beleza. 200 gramas, certinhos. Lindo.

Até que chega a segunda fornada de compras.


Não quero falar sobre este assunto.

Karvela

Vagina inoxidável


Hoje a minha cunhada fez uma previsão de Nobel para esta obra (e vontade de obrar me dá a cara do Malheiro). Eu prevejo que ele ganhe o dinheirinho e o utilize para o bem. No fim, com a família reunida, aos 95 anos, uma Nação inteira carpirá enquanto ele encomenda a derradeira puta.

Karvela

terça-feira, Junho 25, 2013

GPS: Gaaaaah Perdi a Saída!

Ir todas as semanas a Sintra desde o ano 2000 em nada impede que eu hoje tenha tentado sair da bonita localidade e tenha ido parar à A5 para me dirigir à margem sul. Foi ver o Cascaishopping a passar por mim à esquerda e eu ó que filhadaputa de sentido de orientação que se eu fosse um golfinho estava sempre com aquelas merdas das coca colas em lata no focinho não porque a juventude está perdida e é badalhoca mas à conta de me perder, sair do rio a caminho de um cano de esgoto e acabar num caixote do lixo na Arrentela. Eu adorava que o Pequeno Camarão herdasse o GPS do pai, tanto o verdadeiro que tem a voz de uma senhora que diz os erres com muito vigor quanto o outro, o embutido, que impressiona, sinceramente que impressiona. Mas pela forma graciosa e coordenada com que se afiambra à PlayStation e acaba debaixo da mesa, arrastando-se em marcha atrás, tenho para mim que herdou a cena genética de sua mãe, esse espécime que até se perde muito mas, enfim, lá vai apreciando a paisagem. 

Karvela