sexta-feira, abril 29, 2016

A minha vizinha que é muito doente

Nós temos uma vizinha que regressou de uma longa estadia noutra localidade. Vivia cá e lá, muito mais lá que cá. Uma vez por ano vem cá para ser operada. Vou ser operada porque é melhor ser cá porque lá há menos condições e por isso vim para cá. Depois ia-se embora para ser operada. Vou ser operada lá porque me chamaram e tem mesmo que ser lá. No ano seguinte regressa, ainda completamente ilesa, para ser operada. Estive à espera e finalmente vão-me operar, venho cá a um especialista. Duas semanas depois ia embora. Afinal não me operam tenho que voltar porque se ficar cá tiram-me da lista de espera do hospital de lá. 

Ávida praticante dos Dois Metros Sofá Porta, motivada sobretudo por uma atitude vencedora e pela vontade de ver quem chegou, o que traz vestido, quantos sacos do Continente traz e de que cor ainda é o carro que vira há pouco durante a prova de Cinco Metros Cozinha Porta, motivada sobretudo por uma atitude vencedora e por um ouvido de tísica que só não ouve o que não quer mas ouve a minha prima a pôr a chave à porta às cinco da manhã, era ela que eu bem a ouvi.

Agora diz que essa vizinha voltou para ficar. No outro dia a minha mãe passou por ela. Parece que o marido vem também, para ser operado. 

Karvela

quinta-feira, abril 28, 2016

Fuck me? Sure!

Há algum tempo passei meio dia a explicar a um doutorado que 200 + 200 = 400 e continuaram a chegar e-mails a pedir esclarecimentos acerca desta equação quântica, quase sobrenatural, diria divina até que parou, saciado por uma reformulação, no sentido de duzentos mais duzentos é igual a quatrocentos, assim sim, está mais explicado.

Começo a questionar esta coisa de daqui a pouco tempo estar a prestar provas para imbecil doutorada.

Karvela

I'm judging you

O racio de dentes por pessoa é uma qualidade subvalorizada.

Karvela

sexta-feira, abril 22, 2016

Serviço Público

Eu já levo uns anos nesta terra e vou perdoando algumas coisas aos jovens, que têm cérebros mais recentes - é certo, mais frescos mas com menos quilometragem, aquilo anda mas desenvolve pouco - e por isso alguns detalhes escapam-lhes e nós sorrimos e damos palmadinhas nas moleirinhas, que ainda não fecharam por completo e depois aquilo é um bocado mole e fazemos todos aquela cara de quando se toca na moleirinha que é nheee e ewww e outra vez!

Por isso, é com um sentimento que oscila entre o enojado e o satisfeito que observo frequentemente o comportamento de mulheres e homens que têm idade para serem meus primos mais velhos no ato de esperar, na bomba de gasolina, dentro do carro, em fila para abastecer, que a pessoa da frente se despache, frequentemente exasperados, numa postura corporal que denuncia um "olhamestefilhadaputa que agora deve estar lá dentro a comprar chocolates para a família toda!" ou um "caralhosmafodam podias andar mais devagar até ao carro, não?".

Especialmente para vós, gente que povoava abundantemente as bombas da direita daquela estação de serviço esta manhã, deixando as bombas da esquerda completamente vazias, nosso senhor nos livre e guarde de pensar para além do que vos é posto à frente dos olhos. Estou cá eu para vos mostrar o caminho chamar-vos estúpidos ajudar.

Jovem, o meu depósito também é à direita e, ainda assim, eu parei alegremente na bomba que fica à minha esquerda e... espera... espera... puxei a mangueira do gasóil que... olha, espera... ai... é comprida (mind = blown, eu sei!) e tu podes puxar e depois ela chega ao depósito mesmo que esse depósito esteja longe da agulheta. Aquilo não trava ao fim de 50cm e não te puxa de encontro ao sem chumbo com toda a força como se fosse um cordel de bungijumpe, aquilo continua e continua e podes, em parando o carro só um metro à frente do que é costume, pôr o teu combustível com uma ausência de nervos que é um mimo.

25 de Abril sempre. Foda-se.

Karvela 

quarta-feira, abril 20, 2016

FrankenCool

De vez em quando ouço a expressão "Epáááá este banco está todo deitado! Conduzes deitada...? É para parecer fixe?". 

Ora, eu não sei em que fantasia de 1994 é que o kramer ainda vive, na qual a equação conduzir reclinado com os braços buéda esticados = inacreditavelmente fixe, mas eu gostava só de deixar aqui claro que: 

a) não é fixe conduzir como se tivesse aquele problema nas articulações que faz as pessoas andarem com os braços todos caídos, aquilo nem abana, mete impressão.  

b) nem na nossa adolescência era fixe conduzir ou ver alguém conduzir assim, os garotos que acham que isso é um íman de puss ficam a parecer muito baixinhos porque só se vê do queixo para cima. É como o tipo que eu vi no outro dia a conduzir um porsche, o carro era mesmo muito lindo mas o gajo era daqueles que veste o pullover por cima da camisa e nem preciso dizer mais nada que vocês entendem, é daquelas infelicidades da vida.

c) eu passo coisa de duas horas por dia a conduzir, é o mais perto que eu tenho de estar descansada mas sem estar a dormir, na maior parte das vezes.

Karvela

sábado, abril 09, 2016

Asshole brain

É estar mesmo quase a adormecer e lembrar-me daquele dia em 1992 em que deixei de usar champô dois em um e fui comprar, cheia de confiança, um champô que afinal era um amaciador e lavei o cabelo só com amaciador e tive que ir para a escola com uma marrafa que mais parecia um cordel e chegar a casa e perceber que afinal era só amaciador e não me lembrar exatamente quando é que comprei outra vez champô ou se usei o champô da minha mãe e a inquietação de pensar quanto tempo andei em com o cabelo feito guita, se foi um dia se foi uma semana, e a realização que o meu cabelo em geral ainda parece um barbantezito humilhante.

Karvela

sábado, abril 02, 2016

As coisas que me enojam #30986/A

Cocó do cão, tranquila.
Cocó da criança, porreiríssima da vida.
Criança bebe água do banho, vómito instantâneo.

Karvela