quarta-feira, junho 26, 2013

FarinhaGate

Há-de chegar o dia em que eu hei-de parar de fingir que sei encomendar compras pela Internet. 

Chegam as compras. E eu vejo um saco e fico tão feliz mas tão feliz porque, porra! consegui encomendar a quantidade certa de queijo:



Beleza. 200 gramas, certinhos. Lindo.

Até que chega a segunda fornada de compras.


Não quero falar sobre este assunto.

Karvela

Vagina inoxidável


Hoje a minha cunhada fez uma previsão de Nobel para esta obra (e vontade de obrar me dá a cara do Malheiro). Eu prevejo que ele ganhe o dinheirinho e o utilize para o bem. No fim, com a família reunida, aos 95 anos, uma Nação inteira carpirá enquanto ele encomenda a derradeira puta.

Karvela

terça-feira, junho 25, 2013

GPS: Gaaaaah Perdi a Saída!

Ir todas as semanas a Sintra desde o ano 2000 em nada impede que eu hoje tenha tentado sair da bonita localidade e tenha ido parar à A5 para me dirigir à margem sul. Foi ver o Cascaishopping a passar por mim à esquerda e eu ó que filhadaputa de sentido de orientação que se eu fosse um golfinho estava sempre com aquelas merdas das coca colas em lata no focinho não porque a juventude está perdida e é badalhoca mas à conta de me perder, sair do rio a caminho de um cano de esgoto e acabar num caixote do lixo na Arrentela. Eu adorava que o Pequeno Camarão herdasse o GPS do pai, tanto o verdadeiro que tem a voz de uma senhora que diz os erres com muito vigor quanto o outro, o embutido, que impressiona, sinceramente que impressiona. Mas pela forma graciosa e coordenada com que se afiambra à PlayStation e acaba debaixo da mesa, arrastando-se em marcha atrás, tenho para mim que herdou a cena genética de sua mãe, esse espécime que até se perde muito mas, enfim, lá vai apreciando a paisagem. 

Karvela 

quinta-feira, junho 20, 2013

Radar | Sonar

Eu juro que eles nascem com um sistema de navegação embutido. Um sonar qualquer, uma morceguice inata que nos passa depois com a idade.

Passo horas na cozinha e ele nada. Faço barulho, tacho, bimbo, lavo o filhadaputa do copo da bimby trinta e cinco vezes. E ele dorme. E brinca. E da da da da da ("dá dá os cornos", digo-lhe eu, "se queres compras!" Às vezes tenho pena dele mas faço figas para que venha a ultrapassar-me em sarcasmo. Mas não muito que até aí aos 5 anos eu tenho as mãos maiores que as dele e ameaço porrada com estas mãos por agora gigantes que um dia lhe hão-de provocar a chamada risa. Adiante). No segundo exacto em que me sento a comer ele liga a sirene.

Vamos a um restaurante e ele porta-se lindamente, brinca, olha – calhandreiro insuportável – para toda a gente que está no restaurante, distribui fofuras. No segundo exacto em que a comida pousa na mesa ele arma a puta.

Não querendo encontrar um padrão nas duas situações acima descritas, há outro exemplos. Eu acordo cedíssimo para trabalhar em descanso. No segundo exacto em que o pai sai de casa e eu fico sozinha, pimbas, renhó para aqui, renhó para ali, ai que estou a acordar, dá-me lá atenção.

Pergunto se não seria possível fazê-los com sensores mais úteis. Uma luz que acende no nariz quando ele tem caca na fralda. Azul para caca, vermelho para super caca (aquela que amarinha pelas costas, um fenómeno que me fascina). Um pi pi pi pi como os carros do lixo quando tem fome. Uma voz robótica qualquer que diz “Senhora minha Mãe, venho por este meio abordá-la, de maneira a informar que necessito de suprir uma das necessidades básicas que apresento na pequena infância. Não obstante o apreço que sinto por Vossa Excelência à partida derivado do imperativo biológico, mas também já fruto de estímulos sócio-culturais que me demonstram que existe carinho recíproco, choro apenas e só porque me encontro com aquilo a que os camponeses chamam larica. Daí que, por favor, rogo-lhe que não leve a peito este choro descontrolado e, diriam alguns, histérico, já que não passa de um momento de fraqueza infantil em muito consequência de não possuir ainda o dom da palavra e, por isso, apenas demonstrar capacidade de expressar-me através da lágrima e, por vezes, do grito. Grato me despeço. Bem-haja.”

Não é possível, dizem-me da régie. Bem, façam lá isso pelo melhor e depois escrevam-me. Ou então esperem pelo segundo exacto em que eu me sente a comer e telefonem-me. 


Karvela  

quarta-feira, junho 19, 2013

Mosh?

A ver televisão, Pequeno Camarão fascinado com os anúncios, passa aquele do Moche. 

Karvela-Pai – O que é isto do moche? O que é que esta palavra quer dizer?
Karvela – Errr… *hamster a correr na rodinha, bêbado* É quando as pessoas se atiram para cima de outras.
Karvela-Pai – Han?
Karvela – Quer dizer, é uma coisa de concertos. O pessoal faz uma roda e anda à porrada e salta para cima dos outros e dá pontapés...
Karvela-Pai – Quem é que vai para um concerto para a porrada?
Karvela – Muita gente. Conforme o tipo de música. Mas é bom.
Karvela-Pai – Porrada é bom?
Karvela – Quer dizer, a do moche é. É consensual, pelo menos.
Karvela-Pai – Não percebo.
Karvela – Mas depois sem ser nos concertos quer dizer quando a malta vê um amigo e diz “MOSHHHH!” e atira-se toda a gente para cima dessa pessoa.
Karvela-Pai – Isso é parvo.
Karvela – Não discordo.


Karvela

domingo, junho 02, 2013

Mais delírios

A menina Cilinha sentia-se estranha, sentia-se com calor, com frio, com fome. E chorava porque o podengo do Dr. Alberto da farmácia foi atropelado e agora mancava. E ria porque o podengo era objectivamente cómico. Então a menina Cilinha não aguentou e contou ao Dr. Alberto que se calhar, podia ser, não tinha bem a certeza, podia ser uma gravidez inesperada. Pois a menina Cilinha sentara-se num banco de jardim onde minutos antes estivera o Fininho. Fininho de nome mas viril como um láparo que a mulher do Fininho pariu 10 e carregou 12 ou 13, perdeu-lhe a conta. A consternação da menina Cilinha enterneceu o coração magoado do Dr. Alberto, que pensava no podengo de noite e de dia, então como é que ele agora caçava com um podengo coxo? O Dr. Alberto levou-a para uma salinha, nas traseiras, mediu a tensão à menina Cilinha e discretamente telefonou à filha, olha, anda cá buscar a tua amiga que ela acha que está grávida de um banco de jardim. E lá veio a Raquel - ainda morava na rua do Norte - e levou a amiga Cilinha que, 50 anos feitos, só estava a ter um afrontamento.