quarta-feira, junho 29, 2011

Eu já só vou ao Modelo (perdão, Continente!) pelas histórias...

Está para acontecer a primeira vez que eu consiga ir às compras ao Modelo (perdão, Continente!) e não traga uma bonita história. Às vezes é curta e partilho só no Facebook, outras é catita, como o dia em que a senhora da caixa me disse que mijava mais sempre que comia nabiças, e venho aqui contar. A história de hoje é dessas que eu preciso de espalhar pelo maior número de pessoas possível, para que me alivie o fardo.

Kramer está de férias, decide que quer fazer grelhados e fica a dormir enquanto envia a escravinha Isaura às compras. Tudo bem, também hás-de ficar a cheirar a fogareiro, a mim que me importa! Mamãe cola-se à boleia. Como mamãe é garota para já ter direito a desconto de idoso no Centro de Saúde, tem que fazer tudo de manhã, é daquelas coisas que acontece às pessoas depois de uma certa idade: do meio-dia para a frente já é tardíssimo. E por isso acordei cedo demais para alguém que também deveria estar numa espécie de férias e se deitara perto das 2h porque ficara a re-re-re-rever episódios da primeira série do The Apprentice. O fashion statement sonolento (aka de olhos fechados, mesmo!) foi um par de calças de ganga, uns ténes da Merrel e um top que me custou 2,50€ na Primark e que tem um decote pronunciado. Não pensei mais no assunto, saí de casa assim mesmo, enfiei-lhe um casaco de malha por cima, que eu sou como as velhas, se saio de casa antes das 9h sinto sempre um fresquinho nos braços. 

Foi nesta figura miserável, com olheiras até ao chão e o cabelo deslavado, que me encontrei na caixa pelas 10h. Mamãe procede à sua compra, eu vou de seguida. Um senhor chega uns minutos depois e eu penso "Que se lixe, hoje não vou deixar passar à frente só porque tem menos objectos. Há mais caixas abertas..." E fui continuando a retirar objectos do carrinho, vergando-me automaticamente como uma daquelas máquinas de montar carros na Auto Europa. Notei que o senhor, de 10 em 10 segundos, remexia o cesto. 

"Esqueceu-se de alguma coisa", pensei primeiro.
"É compulsivo", pensei segundo.

* ouvidos a zumbir com o evento que se seguiu *

Preciso escrever isto da forma mais clara possível para que não exista qualquer equívoco acerca do que aconteceu: o senhor remexe o cesto pela nonagésima vez, tira uma lata de atum, coloca a lata de atum, e não posso enfatizar isto suficientemente, sobre as calças, na zona da braguilha, exactamente por cima de um visível alto na área do pénis, evita o contacto visual comigo e muda rapidamente de caixa.

Ora, o senhor podia ter uma hérnia (lamento se é esse o caso, só tem piada porque não é comigo), mas eu gostava de acreditar que os meus 2,50€ foram bem gastos já que ofereceram ao senhor uma gostosa experiência matinal.

Agradeço que, da próxima vez que algum de vós fique entusiasmado com a minha presença, não utilize uma lata de atum para ocultar a erecção, porque:

a) é comida que aprecio e agora, durante algum tempo, a embalagem de Bom Petisco vai ficar associada à virilha de um homem de meia idade;
b) é triste pensar que uma lata de atum é o suficiente para esconder uma pilinha pronta para a acção.

Karvela (o Viagra dos pobres desde 1994 - podia ser desde 1979 mas eu era um bebé pouco sexy)

terça-feira, junho 28, 2011

segunda-feira, junho 27, 2011

Obrigada, Vasco Rato, por seres quem és!

Este era o início do post que tinha aqui guardado:

Ando tão arredada do mundo das pessoas que a minha fonte noticiosa tem sido este senhor, e os seus pungentes relatos da vida do país nas redes sociais. Primeiro foi o tiroteio no Colombo, depois o Angélico e a sua viatura desgovernada. Hoje atingi um novo ponto baixo ao descobrir pelo Tubo de Ensaio que a Teresa Caeiro agora vive com Miguel Sousa Tavares.  

Na verdade a doçura da Teggy acabou por casar com o MST. Dissertarei sobre esse assunto nunca.

E depois escrevi algo como:
Relembro que algures no tempo a Teresa Caeiro procriou com esse exemplar de cloaca que é o Vasco Rato. 

Exemplar de cloaca é uma expressão tão valente que me bloqueia a sinapse e não consigo superar e continuar o texto. Tentei algumas variações e nenhuma atingiu este grau de dignidade. E, apesar disso, são estes pedacinhos de lucidez que me fazem voltar a acreditar nas minhas capacidades enquanto pessoa que ganha a vida a escrever.

Karvela (isto vem da mesma pessoazinha que acaba de se assustar porque confundiu o vaso da orquídea com uma cabeça humana... enfim...!)

sexta-feira, junho 24, 2011

A SusanaFelixização da sociedade

Já me alonguei neste blog sobre a fraqueza do carisma de figuras como João Pedro Pais e Mafalda Veiga, comparando-os a pães de Mafra. Hoje ouvi uma coisa na rádio e lembrei-me que ando para aqui a guardar fel há que tempos dirigido à Susana Félix. É gira que se farta e parece fofinha, adorava sair com ela e conversar sobre unicórnios, arco-íris e sonhos de abóbora enquanto bebíamos delicadamente um cocktail cor-de-pink com sabor a pastilha elástica. 

Mas é outra que:
a) tem uma voz banal;
b) tem o carisma de um semáforo no amarelo. 

Não é a gaja porreira do semáforo verde nem a biatch do semáforo vermelho. É a miúda assim-assim, é meh, é subpar. Naquela gelataria do Norte onde vendiam gelado com sabor a bacalhau com natas a Susana Félix é a baunilha. A Susana Félix é tão renhó que até eu consigo lhe imitar a voz. Da próxima vez peçam-me para cantar coisas porcas com a voz da Susana Félix e eu garanto-vos felicidade durante os dois minutos em que consigo fazê-lo sem começar a espumar de nervos. Hoje tentámos com o Closer dos Nine Inch Nails e o Doces penetrações, dos Enapá 2000. Não vale a pena... "Querida, lubrifica-me a ogiva" soa a anúncio ao Nenuco Fofuras Boas Amor Marmelada Doçuras. 

Dito isto, tenho duas queixas.

1. Quem é que estava a cantar na rádio Marginal (outra que é a renhó das rádios - não é a Radar mas também não é a Rádio Voz de Alenquer) O corpo é que paga do Variações, com a voz da Susana Félix? Quem é que agarrou no relato acutilante de um sábio acerca de excessos e má vida e o transformou em algodão doce? Se não era a Susana Félix era outra pessoa qualquer. 

Este cenário ainda me assusta mais porque, e passo à segunda queixa:

2. Agora parece que há aí uma camioneta de gente a cantar com voz de menina coquete com o hímen intacto. "Ai A máquina dos Amor Electro é tão espectacular". Não, não é. É uma canção da Susana Félix (cantem o refrão d'Um lugar encantado em cima do refrão d'A máquina, cantem...!), na voz da Susana Félix cantada por uma rapariga com o cabelo à tigela. 

A SusanaFelixização da sociedade preocupa-me. É o equivalente a ver passar carros cinzentos, não há quem compre um Yaris vermelho. É um Toyota, há uma tonelada deles, mas pelo menos é encarnado. Ainda há vozes boas. Há. Mas insistem em passar a Susana Félix e suas clones, a Mafalda Veiga e a sua falta de lábios, o João Pedro Pais e as suas sofisticadas rimas, Pedro Abrunhosa e o seu poder de observação ("passou um avião e agora estou aqui" "um cinzeiro atirado pela saída de emergência" "o quadro eléctrico da vizinha do terceiro esquerdo"). 

Alguma música portuguesa carrega-me de tédio.

Karvela (portanto, em encontrando-me na rua, é pedir-me para vos cantar o refrão d'A máquina com a minha letra alternativa, que passa em muito (ou na totalidade) pela frase "eu tenho que cagar")

quinta-feira, junho 16, 2011

Catarse

Imaginem um balde de merda. Mas mesmo merda. Como em fezes. Não é um balde de merda metafórico. É um balde de plástico cheio de senhores castanhos. 
Imaginem-no fétido, cheio de cocós. Cocós moles. Cocós duros. Cocós assim assim e outros de cor duvidosa que nos leva a pensar que se calhar ir ao médico seria boa ideia.
Imaginem que é um balde daqueles normais, que se compram em qualquer superfície comercial. Portanto leva o seu tempo a encher. 
E por isso a merda que lá está dentro é de há muito tempo. Os tarolos do fundo já viram passar algumas luas. 

Agora imaginem que estão a passear-se calmamente na rua. Até acham que a vida vos corre bem. Bolas, corre-vos mesmo bem. Aliás, corre-vos melhor do que jamais correu. Há coisas a acontecer, rodas a mexer, hamsters a correr, movimento perpétuo.

Agora imaginem que o senhor de barba à passa-piolho que andou a coleccionar cocó durante algum tempo - e relembro-vos que há no balde cocó de couves, cocó de feijoada, cocó daquele estupor daquela amêijoa vietnamita - decide atirar o conteúdo do balde à rua no exacto momento em que uma pessoa vai a passar. E entra-vos para a boca, salpica a parte de dentro dos dentes, espicha-se-vos para os olhos, deixam de ouvir porque um pedaço de matéria fecal se alojou no tímpano esquerdo. O cabelo e as sobrancelhas também não escaparam à sanha diarreica. E, olhando para dentro da t-shirt, escorre perigosamente um maroto assim mais para o líquido mesmo na direcção dos genitais. Os ténis brancos? Uma miragem de castanho escuro. Roupa? Mais vale estar nu. Duche? É aproveitar o metano e tacar o fogo à epiderme.

Pois, meus caros, eu andei a levar com baldes de merda destes durante todo o mês de Maio, culminando em Junho num magnífico espectáculo de luz e som, no qual fui mergulhada num jerrycan de merda que andou a ser coleccionada por uma equipa de futebol regional que se alimenta de lentilhas e ovos.

Se algo de positivo saiu da experiência é que agora todo o fel de Karvela é plenamente justificado. Durante tempo indefinido e com a violência que me apetecer. 

Karvela

segunda-feira, junho 13, 2011

You can't say that...!

Restaurante O Almocreve em Rio de Mouro. Naco na pedra. 

Kramer - Come mais, Clara!
Karvela - Não consigo. Overdose de carne! Nome apropriado para esta refeição e também para um filme porno. 

A sogra riu da piada, pobre.

Karvela

... Vidas...!

Kramer faz zapping.

Karvela - Pára aqui pára aqui!!! Este fim-de-semana estreia o It's a
Scary World e eu quero ver!
Kramer - Han?
Karvela - Com a Mel B.!
Kramer - Quem é a Mel Bi?
Karvela - Das Spice Girls? A Scary Spice?
Kramer - Mas essa não era lésbica?
Karvela - Não! Esta é a que teve um filho com o Eddie Murphy!
Kramer - Com O Eddie Murphy?
Karvela - Sim!
Kramer - Mas esse não era gay?
Karvela - Não. Quem disse?
Kramer - Tu. Tu achas que todos são gay.
Karvela - Pois acho. Mas este não é. Ou então é só um bocadinho que o
bebé era mesmo dele.
Kramer - Então e esta agora tem um reality show?
Karvela - Mas tu não sabes NADA?

Karvela (e é neste degredo que anda a minha vida! Gossip, zapping e
outras palavras acabadas em alho)

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Enviado do meu celular

Clara Oliveira