segunda-feira, setembro 11, 2017

Das Bürnik

As pessoas normais chegam ao trabalho depois de uma viagem a pé, de bicicleta, de transportes ou de carro e começam o seu dia, habitualmente, sem incidentes ou sobressaltos.

Eu chego ao trabalho, saio da viatura e apercebo-me que algo cheira intensamente a cocó. Mas não é cocó caseiro, é um cocó daquele que, na minha terra, se chama bernique, burnico, brrrrnik, olha, merda. Merda de porco e de vaca, tudo junto, numa harmonia fedorenta que só os/as habitantes de uma terra particularmente dada a porquedo, vaquedo e terra bem estrumadas conhecem e amam.

Ponho a cabeça dentro do carro, cheira a cocó. Tiro a cabeça do carro, não cheira a cocó. Repito diversas vezes. Sapatos limpos, tapetes limpos. Repito outra vez.

Olho para a maçaneta da porta de trás e parece-me vê-la riscada. E nisto já a mão se tinha dirigido ao risco. E na fracção de segundo em que a mão demora a chegar à maçaneta, na minha cabeça passa o filme - obviamente mais lento do que a velocidade da mão - "Ai, queres ver que eu raspei o carro? Mas onde? Espera, isto não é raspado, isto é sujo. Ai aquele carro de transporte de porcos que eu ultrapassei na ponte e que estava a deitar caca.......".

Os meus ouvidos zumbiram enquanto dois dedos pousavam alegremente numa substância preta, de consistência duvidosa e cheiro intenso.

Na esperança que fosse apenas massa consistente com cheiro a fezes, retomei a vida de cabeça erguida. Já lavei as mãos seis vezes, que no meu trabalho há água e detergente. Podiam era disponibilizar aguarrás e um fósforo.

Karvela

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