quarta-feira, novembro 17, 2010

I refuse!

Imaginemos que um dia sai dos refegos uterinos uma mini Karvela ou um mini kramer. Imaginemos que saem três ou doze, ando por aí zombificada, com privação de sono. Agora imaginemos que me esqueço de qualquer convenção social e negligencio a higiene pessoal e acabo por pifar de tal modo que passo a ser conhecida  como Aquela-Desgrenhada-Que-Grita-No-732-Para-Santa-Maria. 

Mesmo assim não concebo a ideia de um dia utilizar a palavra mamada em contexto de amamentação. É que depois as frases saem todas como esta da Rita Mendes na TVmais.




Quando a expressão surge -  e, meus bidés, acreditem, surge mais vezes do que seria socialmente aceitável - acabo sempre a aguentar a gargalhada, perante uma plateia de gajas, normalmente já mães, que insistem em dizer "Que mal tem a palavra mamada?" *pfffffffffffffffffttttttttggggggg* "Só pensas em coisas porcas, Clara!" *gnnnnnnnn mamada*...


'Queres uma mamada?' só se deve usar numa situação e envolver crianças nunca é certo. Nunca!

Karvela 

domingo, novembro 14, 2010

The day my brain fell inside the toilet. A cautionary tale.

Sábado, dia 13 de Novembro, fui ver o Gru. Essa é a parte boa (muito boa, mesmo!).

Ao jantar, como já andava a sarrazinar o kramer há meses para ir ao Aya Bistrôt, lá me fez a vontade e levou-me a comer sushi. Já conhecíamos o sítio, bem catita, sempre bem referenciado mas ontem estava invulgarmente quente. E eu, piadista de excelência, lá dizia "Isto o que o peixe cru quer é calorzinho..."... e paro de comer. kramer estranhava a falta de apetite, à qual eu respondia com um magro "Estou sem fome, sei lá." De repente acende-se um fogo cá dentro equivalente a mil sóis. E foi ver uma Karvela coradinha do calor do Bistrôt a correr agarrada ao cabelo. 

Ora, se há uma coisa que eu tenho orgulho em dizer é "Pá... raramente vomito... é uma coisa que eu faço, raramente vomito". E há outra coisa que eu não entendo, que é quando me vêm dizer que já viram casas-de-banho todas borradas ou vomitadas. Todas? Até o tecto? Hesito. Descreio. 

Tendo em conta, então, que não aprecio gente exagerada, é com um mal disfarçado orgulho barra eish-tão-cedo-não-como-sushi que posso dizer que o vómito que seguiu a refeição de ontem foi épico. Tão épico que havia tanto líquido no chão quanto nas botas. Tão épico que atingiu toda a largura do compartimento do wc de centro comercial. Tão épico que, ao limpar as botas e o chão, apercebi-me que havia ainda mais para limpar na parte de baixo da sanita. Tão épico que o cozinheiro nipo-brasileiro sentiu uma pontada no peito. 

Perdoai-me, senhoras da limpeza das Twin Towers. Eu juro que fiz o melhor que pude dadas as circunstâncias. Mas é que foi completamente impossível o exercício do abraço à porcelana, que é tão caro a todos nós quantos já nos sentimos mal na nossa casa ou na de amigos, aquele doce amplexo branco, misto de alívio e lágrima. Numa casa-de-banho pública é impensável a prática da genuflexão-regurgitação.  

Proponho mesmo a seguinte hipótese, após o trabalho empírico deste fim-de-semana: a prática da genuflexão-regurgitação é proporcionalmente inversa à familiaridade que o indivíduo tem com o equipamento sanitário para onde está a exercer o seu direito de vómito. 

Com esta vos deixo e agora vou hidratar-me e lavar os dentes, que parece que comi um rato de esgoto enquanto ele estava a cagar depois de ter jantado no Aya Bistrôt. 

Karvela

quinta-feira, novembro 11, 2010

Oh no he didn't!

Devo estar a ficar velha porque hoje o meu amigo que é padre católico publicou no seu blogue um video do Michael Jackson e eu parei quase logo de rir.

Karvela

segunda-feira, novembro 08, 2010

Diálogos aleatórios de segunda à noite

Anúncio 1
Carlos do Carmo canta Frank Sinatra no Pavilhão Atlântico

Karvela-Pai - Isto vai correr tão mal...

Anúncio 2 
Mikael Carreira qualquer coisa

Karvela - Ca nojo...! Preferia ir ao Atlântico ouvir "Carlos do Carmo canta as músicas favoritas de Adolf Hitler"
Karvela-Pai - "Carlos do Carmo recita trechos do Mein Kampf"

Karvela (the fruit doesn't fall far from the crazy tree)

sexta-feira, novembro 05, 2010

Girl over 30 = girl under pressure

Se há uma pergunta que me irrita é "Quando é que tens filhos?"; mas apontarem as minhas futuras incapacidades parentais antes de existir sequer o vislumbre de um infante é coisa para me deixar instantaneamente em modo Karvela.

No outro dia mostrava orgulhosamente a uma pessoa que nem sequer é família (porque se fosse levava logo uma chapada com as costas da mão) que tinha conseguido arrumar a minha parte das estantes do escritório, sendo que ter um escritório é o único luxo que estes nossos setenta metros quadrados permitem. Em vez de receber o esperado "Olé! Esta é talvez a melhor arrumação que eu já vi em toda a minha vida!", foi-me oferecido um "Quero ver onde é que pões isto tudo um dia que tenhas um filho." Apanhada de surpresa, respondi "Olha, os livros é que não podem sair daí. Ele que durma numa gaveta, que eu não tenho espaço!"

O que raio pensou esta pessoa para me dizer uma coisa destas? Eu tenho pouquíssimo espaço para roupa, por isso é impossível tirar de lá os armários. Os livros do doutoramento ocupam uma série de estantes, por isso também não me agrada a ideia de os recolocar noutro sítio da casa. O futuro pai da criança inexistente precisa de jogar Civilization por isso o PC também não pode sair e a secretária também não dá para tirar, porque senão onde é que ele apoia os cotovelos? Pronto, no escritório não dá. Sobra o nosso quarto, mas eu gosto de dormir e diz que crianças e dormir são palavras incompatíveis. Hmmm... na sala não me dá jeito porque é o meu local de trabalho. E agora que montámos o cadeirão da IKEA não vou certamente lá pôr um berço, coisa inestética. Sobra o meio da cozinha mas isso é o quarto do Óscar, e o cão já cá estava. Na marquise às vezes chove e eu não vou estar a comprar um berço para ficar todo empenado no primeiro mês! 

Se calhar, em emprenhando sem querer, mais vale dar consentimento para adopção e fazer alguém feliz com esta criança, já que segundo algumas vozes eu não vou poder, e enumero:
- Manter o escritório (mas quem é que acha que eu vou privilegiar o escritório em relação ao quarto de uma criança? QUEM?)
- Acabar o doutoramento (podem dizer-me que vai ser difícil, estou ciente, mas já ouvi rumores que é impossível... uuuuuh... como é que os outros fazem...?)
- Ter o cão em cima dos sofás (e ele é tão mau...).
- Andar sempre nas compras (porque com o salário de bolseira eu estou constantemente a comprar jóias).

E, a minha favorita, 
- "Fazer a vida que fazes agora"

Este da vida que faço agora tenho a certeza que posso continuar, porque os futuros avós já se ofereceram para ficar com uma putativa criança quando eu bem necessitar. Por isso acho que posso largar o puto mesmo no patamar da escada dentro de um cesto daqueles da fruta, tocar à campainha, acelerar violentamente o carro e ir à vida desregrada, alcoólica e praticamente sidosa que mantenho agora. 

Karvela (Karvela irritada = post dos antigos)

quarta-feira, novembro 03, 2010

She's a fucking thespian!


No outro dia alguém me dizia "Se há algo que tenho orgulho nesta vida é no facto de poder dormir descansada todas as noites, porque nunca me endividei."

E isso fez-me lembrar a dívida que a Maria João Bastos tem para com os actores. É impossível uma pessoa dormir descansada quando sabe que a sua profundidade dramática repousa na mudança de óculos. 

"Agora sou uma soldadora"
"Agora sou uma intelectual"
"Agora tenho o cabelo dois tons mais claro"

Um génio da representação, esta mulher. Tenho para mim que a Mariana Rey Monteiro morreu não porque estivesse doente mas para dar lugar a este portento das tábuas. Vai dormir, Maria João Bastos. A sério, dorme uma sesta que isso de achares que és actriz só te faz mal. 

Karvela