terça-feira, dezembro 29, 2009

É o chamado pet peeve

Em 2009, devido a uma diversidade de circunstâncias, aprendi a mexer em crianças. Não no sentido Michael Jackson/ Carlos Cruz da palavra, mas no sentido que já sei que elas não se partem. Não se partem a não ser que a gente as abane com muita força ou as deixe cair. Vá, dentro do género, aprendi a segurar um bebé sem entrar em pânico esquizofrénico.

Durante este processo aprendi a alimentar crianças pequenas. Não no sentido “Abre a boca” Michael Jackson/ Carlos Cruz mas no sentido “Come lá a porra da sopa que eu tenho mais do que fazer!”.

E durante este processo ganhei uma nova inimizade: adultos que, ao comer sopa ou iogurte, em vez de utilizar um guardanapo ou, em linguagem mais darwiniana, aquilo para que o ser humano foi criado com a história dos polegares oponíveis e isso, utilizam uma colher para limpar o pingo que escorre teimosamente para os seus queixos.

Imaginemos o cenário de um comensal de hora de almoço, tentando alimentar-se para regressar ao seu local de trabalho com toda a energia de um jovem mineiro, alimentando-se com uma nutritiva mas habitualmente rala sopa. Este adulto está a comer num local público, a sopa naturalmente pinga para o queixo e, em vez de civilizadamente recorrer ao guardanapo que até costuma ser fornecido juntamente com a refeição, coloca a colher ao nível do queixo e puxa o restinho de sopa pendente – invariavelmente para dentro da boca – tal como se faz a uma criança. O queixo fica com uma faixa laranja ou, em casos mais infelizes, verde. Contudo, o comensal não desperdiçou o valioso líquido.

E isto hoje ia-me acontecendo. Estava a comer dois Danacol com açúcar amarelo dentro de um copo de plástico do IKEA quando um pingo me cai para o queixo. E vou mesmo quase ao ponto do puxar-o-restinho-de-iogurte-pendente-para-dentro-da-boca quando digo um sonoro NÃO!, amparo o viscoso líquido com a mão que me protegeu as vestes caseiras de férias e recuso-me a ser assim. Recuso-me a ser assim.

Desafio Lagostim para 2010: gente-que-puxa-o-restinho-de-iogurte-e/ou-sopa-pendente-para-dentro-da-boca spotting.

Karvela

sábado, dezembro 26, 2009

2009, um resumo

Em Janeiro não tive gajo em casa e a única coisa que me lembro é do cão a dormir encostado ao aquecedor e de ter trabalhos para fazer. Fui buscá-lo ao aeroporto com uma folha A4 com o nome dele escrito.
Também descobri que o dono deste mail que eu tanto amei é da autoria do ex-namorado de uma das minhas melhores amigas. Esta verdade demorou uns meses a ser reposta mas foi agora, pronto.

Em Fevereiro fiz o Le Photomaton aqui na chafarica. Foi giro mas dava trabalho. Em Fevereiro apercebi-me que as coisas que dão trabalho são chatas. Por exemplo, o Lagostim Shop, que estava a correr bem até recomeçar a época dos trabalhos do sacana do Doutoramento. Mascarámo-nos de Pacman (o jogo não o dos Da Weasel) e ninguém percebeu.

Março trouxe a minha primeira visita a um bar gay e uma briga com um senhor da contabilidade do local de trabalho que fez com que os meses de Janeiro a Junho fossem pagos em Agosto. Também em Março as redes sociais começaram a ditar o lento declínio desde blogue... primeiro o twitter, que abandonei; depois o facebook, que ainda aprecio e utilizo. Constato neste mês que, cito "A Aura Miguel está cada dia mais fufa (...)" e pela primeira vez vejo uma transsexual no Conde Redondo.

Em Abril faço um post épico sobre comida crua e uma ex-colega de faculdade que ainda acha que as fadas existem (tá bem, existem, pronto... também já passei por isso mas depois tomei comprimidos). O kramer faz anos e descubro no GPS o equipamento perfeito para uma pessoa se continuar a perder mas agora com o perigo acrescido de olhar para um aparelho no meio do vidro da frente enquanto uma senhora com sotaque de Setúbal me diz para virar na Av. Sacadurra Cabrral.

Em Maio o kramer saltou de um avião enquanto eu emitia sons maléficos mas chegou cá abaixo intacto. Tive a última conversa de mais de 10 segundos com um vizinho barra primo que não sabe a diferença entre Star Wars e Star Trek (até me enerva só de pensar!) e nas comemorações de um Dia Internacional que calha em Maio e que tem que ver com o meu trabalho embebedei-me em frente ao chefe. Foi no mês de Fátima que consegui provar ao mundo que o Nelo do Herman existe e vive no Samouco.

Em Junho comprei um porta-moedas do SpongeBob Squarepants que anda com os olhos de um lado para o outro e dá tonturas se estivermos fixos naquilo muito tempo. Em temporada de finalização de segundo semestre foi só mesmo isto.

Em Julho tornei-me oficialmente bolseira de investigação. Comecei a bolsa com férias (tenho direitos!!!), por isso fui a Cuba tornar-me ainda mais de esquerda e dizer ainda mais coisas como "Isto era preciso era um Fidel em cada casa de passe!". O Óscar teve que usar um funil e eu ri-me 15 dias seguidos, para desgosto do kramer que defendia o filho peludo sempre que podia.

Em Agosto fiquei loira no dia de anos da Ana Malhoa. No dia seguinte fiz 30 anos. Tive uma mini crise de identidade, mas passou depressa porque ser-se loira melhora sempre tudo. Encontrei um site para fazer looks (http://www.polyvore.com/) e renovei o armário, colando lá dentro folhas com as imagens das diversas combinações de roupa. Continuo a vestir mais ou menos o mesmo mas agora tenho o armário cheio de folhas com imagens de combinações de roupa. 7 dias depois do aniversário fico sem portátil e, por conseguinte, sem dados. Daí a uma semana regressou, com tudo arranjado, incluindo parafusos que haviam saído do sítio. Daí a uma semana caiu e os parafusos saltaram novamente, repondo assim o equilíbrio do ecossistema.

Em Setembro fui à minha primeira conferência como socióloga. Senti-me super importante, no meio de 3000 pessoas mais importantes do que eu. Fiz relato em tempo real dos Emmy e acho que em 2010 vou fazer dos Oscars. Foi bem catita. Bati na Pipoca Mais Doce mas agora que a piquena vai casar até fiquei com pena e espero que ela seja feliz mais o futuro marido que a obriga a arrumar o roupeiro sob pena do próprio não poder guardar o único par de sapatos que lhe é permitido ter. Em Setembro fui às Astúrias e acho que fiquei apaixonada, tirando o CagalhotoGate.

Em Outubro inicia-se o MELHOR ALMOÇO DE SEMPRE, mensal (paradoxal ou estúpido? Ainda não decidimos), com a Daniela e o Flávio, TPM e Ateu, respectivamente. Tenho muito medo deles mas acho que eles têm ainda mais medo de mim, por isso há um relativo equilíbrio de poderes. Fui ao Porto e fui achincalhada nos comentários por não saber o que é pudim frauncês e não saber que no Palácio de Cristal não existe um palácio feito em cristal. Serralves libertou a artista em mim e já fui convidada para expor Pinochio hoch über Pilze. Infelizmente, o Óscar comeu o pilze.

Em Novembro acho que parti um dedo do pé mas depois melhorei. E foi uma excelente desculpa para não ir ao ginásio durante esse mês. Os meus pais anteciparam o presente de Natal e agora tenho um BlackBerry que, devo dizer não sem algum orgulho, só ainda caiu 4 vezes.

Em Dezembro arranquei um siso mas antes regressei ao Aya Bistrot, sozinha, como presente de Natal para mim mesma. O dermatologista explica-me que não é com água que se lava a cara e Richard Dawkins passou a fazer parte das minhas leituras. E escrevi pouco no Lagostim, que anfitriei o jantar de 25 de Dezembro e, mesmo correndo bem, foi coisa para me manter em stress mais de um mês.

Durante o ano, em geral:
Comprei uns botins.
Usei vestidos.
Comprei um biker jacket.
Nunca usei os botins. O kramer diz que me fazem cankles mas não usa a expressão cankles porque é uma pessoa simples.
Dei vários nomes falsos no Starbucks.
Assumi corajosamente o meu agnosticismo. Falta-me um bocadinho assim para assumir o ateísmo.
Acho que passei para o segundo ano do Doutoramento mas ainda não sei porque falta uma nota.
Aprendi que trabalhar em casa exige uma grande disciplina, nomeadamente ao nível de não ligar a televisão e *nervos* a internet.
Não morri. Ainda não foi desta. In your face, 2009.

Karvela (já agora, que não morra até... vá... 2079. Era bonito. Poético. E com uma tatuagem muita encarquilhada a dizer MCMLXXIX)

quinta-feira, dezembro 24, 2009

Cat Stevens da Baixa da Banheira

Leio que o Abel Xavier se converteu ao islamismo. Diz que encontrou
conforto no Islão. Confesso que às vezes compreendo isso do
desconforto mas comprei umas almofadas muito jeitosas no ikea.

Karvela

terça-feira, dezembro 22, 2009

Se dúvidas houvesse que eu sou portuguesa...

Estava a ver o canal E!, a torturar o pobre kramer que foi obrigado a ver coisas que baixam o QI das pessoas, porque estava a dar o episódio do casamento da Kardashian gorda e eu não tinha conseguido ver do início esta manhã. E, dentro da deprimência disto não fazer sentido a 99% dos meus patrícios, sai-se-me a coisa mais portuguesa que eu jamais disse nesta vida: "Ai, a Kim Kardashian está a comer melancia e a beber vinho!!!"

Karvela

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Com ateus destes temos bilhete para o Hades, temos...

Karvela: Ontem comecei a ler A Desilusão de Deus...!
Ateu: Se ainda acreditas no paraíso e inferno, acabaste de entrar no último....
Karvela: Explica lá, o livro é mau? :(
Ateu: Não conheço o livro. Disse isto apenas pelo título. Por acaso fiquei curioso.
Karvela: És um ateu fraquinho, que não conhece Dawkins...
Ateu: Já te disse que sou ateu porque não acredito em deus, não porque li nuns livros. Confesso que deveria fundamentar mais esta minha forma de encarar a vida, mas tenho uma PS3 em casa...
Karvela: Fucking blog worthy!

Karvela

sábado, dezembro 19, 2009

Wisdom feef

Como qualquer pessoa de inteligência superior, escolhi o dia 19 de Dezembro para arrancar o siso. Um dos de baixo, daqueles que ficam inchados depois e demoram uns dias para se poder comida sólida. No dentista foi maravilhoso, 10 minutos e vai-te embora.

Em casa há já 3 horas, a anestesia que não passa continua a tirar-me pontos de QI minuto a minuto, mas já a contar com as futuras intensas dores derivadas de um senhor ter arrancado um pedaço da minha cabeça com um alicate, comi qualquer coisa para poder engorfar o genérico do Nimed daqui a bocado. E a coisa que comi foi, nem mais, sopa. Por uma palhinha.

Começo 2009 com 29 anos, lá pelo meio transformo-me em trintona e estou a terminar o ano com 85, enrolada num roupão, impedida de comer sólidos e com metade da cara sem expressão.

Karvela

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Quando for grande quero ser um cliché

A onda de frio que se abateu sobre nós esta noite trouxe, com a chegada da segunda-feira, um nevoeiro mental que atacou as pessoas que não sabem muito bem o que dizer quando encetam contacto humano matinal.

Entro no meu local de trabalho a tremelicar porque tinha acabado de levar com uma chapada de vento e recebo um “Estás com frio?”.

Não, é estou nervosa. Por fora sou esta besta de sensualidade mas por dentro sou como um daqueles terriers de levar na pochete que não podem ver uma multidão de três pessoas que ficam com os nervos e tremem até ao penacho no topo da cabeça.

Esta magnífica observação encontra o seu equivalente estival no “Estás com calor?”. Não. Estou a suar em bica porque quando ouço a voz dos meus colegas a tentar desesperadamente calar silêncios incómodos derivados de a) não terem que dizer ou b) não saberem como reagir ao decote de uma mulher, fico tão húmida que o meu corpo não processa onde devo ficar molhada e, helas, transfere-se da genitália para as axilas e testa.

Karvela (“e o fim-de-semana?” “foi curto…” – AHGH!)

sábado, dezembro 12, 2009

Aaaaaaa mulher gorda...

Ou este puto é muito bom ou os tunos que tocam cavaquinho são sobrevalorizados.



Mad skills para tocar cavaquinho. Ufff! Mad. Skills.

Karvela

quarta-feira, dezembro 09, 2009

O melhor do mundo são as pessoas espantadas!

O PalhaçoGate que se passou hoje no Parlamento passa-me completamente ao lado. Eu gosto é da cara da senhora que estava atrás da Nogueira Pinto.



Priceless.

Karvela


quarta-feira, dezembro 02, 2009

Don't look at me! I'm HIDEOUS!

Estou para aqui com uma pele que pareço o homem elefante com cabelo loiro. Pois parece que fui atacada por um camadão de acne adulta que, como o nome indica, é bem mais trágica que a acne adolescente. Uma pessoa a pensar que as inseguranças da puberdade já passaram e eis senão quando vai-se a virar uma esquina e leva-se com uma rajada de pus. Vai-se ao médico “ah e tal sotor tou aqui com um camadão de borbulhame que nem sei”.

Receita:
- um creme para a zona T
- um segundo creme para aplicar exactamente 30 minutos depois do outro. 29 minutos não funciona, 31 minutos derrete-me a cútis
- água

Permitam-me dissertar sobre este último assunto. O dermatologista não me receitou que lavasse a cara. Não, que isso é do Mal!
“Não deve lavar a cara com água canalizada, nem no duche!”, diz-me.
E eu penso “Como é que eu escapo à água do chuveiro, senhor?”, enquanto mentalmente lhe dou uma belinha.

Por isso, de acordo com a receita comprei um frasco que diz, literalmente, H2O. Água, eau, water, wasser. Como a canalizada, mas em jarro e em comprada na farmácia.

Estou tão desesperada com esta testa aos altos que já me estou a borrifar. Venha a água em frasco para aplicar com algodão. Mas “não deve lavar a cara com água canalizada, nem no duche” vai ser um desafio à altura de todas as outras bodegas que normalmente me acontecem.

Karvela (a fugir a qualquer contacto de H2O que venha em forma de torneira! Medo!)

terça-feira, dezembro 01, 2009

Ter 40 anos é...

... sair de casa para ir passear o cão, com umas calças rotas nas partes (fresco!), uma camisola velha, ar de quem acabou de acordar, saltou para o duche nem se deu ao trabalho de secar o cabelo e estar perfeitamente a borrifar-se se encontrou alguém na rua.

Agora ter 30 anos é chegar a casa vermelha porque encontrou pessoal daquele que não se conhece bem mas a quem se diz "olá... tudo bem...?" e estava-se com umas calças rotas nas partes (fresco!), uma camisola velha, ar de quem acabou de acordar, saltou para o duche nem se deu ao trabalho de secar o cabelo.

Karvela