sexta-feira, fevereiro 21, 2014

Um post que estava a marinar há meses

Adoro a tribo das gajas que acham que a maternidade é uma prioridade que leva à anulação do feminino, do social ou do conjugal. No meu caso não houve lado social para aniquilar porque já estava fenecido há alguns anos derivado do doutoramento e da Síndrome Bicho do Mato. Mas menina continuo a ser, acabo de olhar para dentro das calças e, confirma-se, vagina. Também continuo a ter gajo, pelo menos ele chega todos os fins de tarde e eu alimento-o, diferenciando-se de um gato vadio nomeadamente ao nível de falar; apesar de eu adorar a ideia de ter um gato que fala porque assim ele podia dizer coisas como epá lamber o cu é estupendo. Mas divago. 

Há um grupo de bloggers que assume as suas falhas maternais, que agarra nos putos e os leva para todo o lado, que admite que há dias que só à chapada. Dessas eu gosto. Depois há as que vestem os putos com folhos, putos que nunca adoecem, raramente choram e mantêm os laços nos cabelos perfeitamente penteados. 

Na senda de me transformar numa blogger que veste o garoto com sapatos de vela e meias até ao joelho porque foda-se, venho por este meio dar novas.

O Pequeno Camarão revela-se um suave ditador, maoritariamente benevolente para com os aldeões mas cujos acessos de ausência de apetite derivam necessariamente em palavras pedagógicas acompanhadas de fantasias que envolvem não tanto a ação voltada para o próprio mas atividades menos dolorosas do que esperar que uma criança coma quando uma criança não quer comer. Sentar-me despida no bico grande do fogão e acender o lume no máximo, por exemplo. 

Também temos aquela coisa de se tranformar num pequeno estupor quando tem muito sono.

Ainda assim, regra geral, é um puto bem disposto, um bocado a dar para o brilhante, giro que mete dó, fedorento dos pés, que se ri com os próprios peidos. 

Falhanço total enquanto blogger betinha, uma vitória da genética.

Karvela

domingo, fevereiro 16, 2014

Partiu!

Apesar de naba em diversas áreas da vida, apresentando dificuldades em actividades tão variadas como chegar a sítios sem usar o atalho Badajoz-Covilhã, ir à praia sem guinchar 'Não vou à água que tem ondas. O mar está frio. Não gosto da areia. Está calor. Está a ficar fresco. Tenho fome.' ou evitar a lesão em mobiliário comum a cada 18.3 minutos, Karvela orgulhava-se de ser uma hábil utilizadora de máquinas, computadores e outros pequenos domésticos (não obstante a avaria frequente dos ditos, nomeadamente ao nível da queda),  explicando frequentemente a outras pessoas que o play é sempre aquele símbolo e o desligar também e o rewind também e o fast forward também e o rec também. Não foi por isso sem surpresa que se apercebeu que afinal prefere perder-se a caminho de casa do que ser a senhora que no curso de culinária da bimby se queixa que não conseguiu fazer  iogurtes, as natas não montaram, as claras babaram, a sopa ficou crua e, perante uma formadora em crescendo de frustração, 'venha cá triturar estes coentros com o ovo para fazer a maionese e veja como é fácil', só de tocar na máquina partiu a lâmina*. Ao mesmo tempo Karvela pensou que se calhar há gente que não foi feita para mexer em máquinas e não valia a pena dizer amiga é só seguir as receitas, se a bimby fosse mais para dummies precisavas de um atestado médico para a comprar naquelas lojas dos velhinhos, juntamente com as cadeiras de subir e descer escadas e os andarilhos e as muletas. À saída Karvela deu com o chapéu de chuva na cara, mordeu a bochecha enquanto comia o resto de sandes porque as porções oferecidas não puxavam a carroça do seu filho quanto mais do corpo crescido para as bermas de uma parideira, não se perdeu porque trabalhou durante anos na zona do curso - não que esse facto se revestisse de particular importância - e, bónus, atropelou um rato do campo à chegada. E ainda assim Karvela sorriu porque enquanto houver livros de instruções e gps, conselheiros do Senhor e aquelas mangueiras de esguicho que tiram restos de rato das jantes, Karvela não perde o pé. Já a senhora que partiu uma bimby tenho para mim que ainda está às voltas na rotunda da makro.

Karvela 

* ligeiros exageros à parte, história verdadeira! A lâmina partiu-se quando a mulher se chegou à bimby! No fundo invejo-a porque eis algo que nem eu consigo avariar.

sábado, fevereiro 15, 2014

O fail continental deste mês

É com gáudio, júbilo e mesmo coiso que anuncio que desta feita o fail não foi meu. Chegam as compras, farinha de quilo, excelente. Fruta fui à praça que não tenho saúde para camadas de nervos. Até que chegamos ao algodão.


Notem que diz ali em pequenino 200gr. Como tudo na vida, a perspectiva é essencial. 


É do tamanho da tampa da sanita, pessoas! 
Tenho algodão até 2023.

Karvela 

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

Alésbica ao pó

Às vezes fico espantada com as história de alergias que vêm dos EUA. Eu não conheço pessoas que andem com uma caneta de epinefrina por causa dos frutos secos. Vocês conhecem? E noutras partes do mundo? Haverá histórias de família acerca do tio Rajiv que caiu para o lado depois de comer um amendoim? Será que em sítios onde a comida escasseia o gajo que é alérgico é gozado porque é o esquisito da aldeia? Andarão atrás do Mamadu com uma pecan para ver se ele incha como um sapo? 

Não, a sério, conhecem alguém com uma alergia severa, dessas de matar e coiso, ou são os amaricanos que andam a beber água com amoníaco há 50 anos?

Karvela