quarta-feira, agosto 22, 2012

Ideias vencedoras

A maioria dos ladrões de carros são homens. Não tendo aqui à mão um estudo científico ou estatísticas policiais, peço que me acompanhem nesta lógica. 

As mulheres não sabem conduzir. Falo por mim, que sempre que vejo uma mulher ao volante atiro-me sem pensar para a faixa da direita. Tenho tanto medo que nem noto se vem aí um camião ou se a dita faixa é um local por onde se consiga circular ou um passeio ou uma pessoa ou um vaso daqueles grandões. É uma reacção humana, não é por ser gaja. 

E como raio é que iam conseguir sequer começar a arrombar uma porta? E depois de arrombada, talvez a toque de gritinhos e chapadas nos vidros ("Abreeeee! Vá lááááá!"), também não saberiam onde são os piscas. Se conseguissem fazer o carro arrancar, ainda destrancavam o depósito do gasóil pensando que era o manípulo do limpa pára brisas. Também posso falar por mim, a pessoa que uma vez no mecânico arrancou com toda a força o fusível dos piscas pensando que estava a puxar a patilha para abrir o capot.


Mas as mulheres são úteis ao mundo automóvel. Eis a ideia vencedora: um alarme que soa a gaja a queixar-se. Ainda agora tocou aqui na rua o alarme do carro de um vizinho. Igual a tantos outros, um fastio. Mas e se o alarme fosse a voz de uma gaja, em alto?

O ladrão aproxima-se. Arromba a porta. E o alarme grita, com voz de enfado e irritação: 

"Porque é que não dizes que me amas? O que é que estás a pensar? Quem é esta no teu Facebook? Trouxeste o que te pedi do supermercado? Mas tu ouves? Tu ouves? Tu nunca me ouves! Deslarga-me! Ouve-me! Não me estás a ouvir, outra vez. Não deixes migalhas. Olha tanta migalha. Mas eu fiz mal a alguém? Recebeste uma mensagem no telemóvel, é de quem? Eu também recebo mensagens? Era o que faltava, contar-te tudo da minha vida. Dói-me a cabeça, estou exausta, que ainda hoje não parei. O que fizeste tu? Eu lavei a roupa, arrumei a cozinha, lavei a casa-de-banho, passei a ferro e estou acordada desde as 5h da manhã. Não durmo mais de 4 horas por noite desde que nos casámos. Ai fizeste isso tudo no trabalho? Pobrezinho... queres uma medalha? Porque é que não dizes que me amas? Vais sair com quem?! Porque é que cheiras a cerveja? Foste comer caracóis e não me convidaste? Mas eu sou o quê nesta casa? Comprei estes sapatos, sim, e depois, já não posso andar bonita? Agora sou a tua escravinha Isaura? Só sirvo para uma coisa, é o que é. Só me tocas na cama. Já jantou, o doutor? Quer o rabinho lavado em água de rosas, também? Deslarga-me. O que é que estás a pensar? Porque é que não respondes?"  

Se isto não é uma ideia vencedora não sei o que será. O ladrão acaba por fugir porque 1. ninguém gosta de ouvir uma gaja a ralhar e 2. não vai haver vizinho que não se chegue à janela para perceber de onde vem a peixeirada. Ideia. Vencedora.

Karvela (a ter ideias vencedoras desde as 11h30 de 22 de Agosto de 2012)

3 comentários:

Mariam disse...

Isto sim, são ideias que retiram a população do marasmo e das consequências da crise!

Anónimo disse...

Mas olha lá, tu és uma gaja ou és um gajo?

Voz Portuguesa disse...

Já pensaste em patentear essa ideia antes que alguém a roube??

Shane d'Arby,
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