quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Conferências, seminários e outros congressos.

A tasca anda silenciosa porque, como desabafei pelas redes sociais, trabalhar em casa dá cabo da criatividade a um gajo [dito isto, a minha porta da sala abriu-se sozinha e se o fantasma que mora cá em casa decide dar a cara vou ter que me urinar toda]. O trabalho aperta e a mera visão de SPSS e variáveis numéricas estrangula-me a veia artística [e o tempo que eu demorei a encontrar um sinónimo para criativa?]. 

Entretanto ontem fui botar faladura a uma conferência. O propósito era a apresentação de projectos de mestrado, doutoramento e pós doc. Fui ao meu painel e por pouco não regressava à base, doente como um cão doente, e hoje já não tive coragem para lá voltar. 

Deixo-vos algumas palavras de sabedoria, que Karvela é vossa amiga e deseja-vos o bem.

Para a organização:

1. Não ponham mais gente na mesa que na audiência. É constrangedor. E não chamem as pessoas um a um para a mesa, como se estivessem a anunciar a Miss Universo.

2. Arranjem moderadores que saibam ver as horas e que não deixem os primeiros esticar-se e os últimos terem que falar a correr [e eu já não falo suficientemente depressa, melhéres?]. Ter o relógio em cima da mesa é um tique muito professoral mas só funciona se o utilizarem como medidor de tempo.

3. Finalmente, para uma correcta imposição de autoridade aos mais seniores, cuja verve ultrapassa os pobres juniores, por favor encontrem alguém com coluna vertebral. 

Para os companheiros palestrantes:

1. Esta é especialmente dirigida aos companheiros brasileiros. Ontem estavam duas meninas brasileiras na minha mesa. E eu tenho sempre tendência [e noto que as audiências também] para ouvir os brasileiros com mais atenção. Aquilo soa melhor que em português fanhoso [o meu português é um género fanhoso-veloz-com-sotaque-hermético-da-margem-sul-com-afinidades-alentejanas]. Mas, pessoas, ninguém compreende de quem é que estão a falar quando dizem nomes de autores anglófonos. É humana e linguisticamente impossível. 

2. O PowerPoint é nosso amigo. Mas mesmo nosso amigo. Se querem escrever muito escrevam muito, se querem escrever pouco escrevam pouco. Mas, digo-vos agora e já que é para depois não se queixarem quando eu me levantar e vos for dar uma belinha em plena conferência da próxima vez: não façam apresentações animadas. O discurso nunca se compadece com o tempo da apresentação e o tempo que demoraram a fazer fernicoques para mostrar que dominam as ferramentas do Office é altamente superior àquele que demoram a carregar no enter ou na setinha. E não ponham bonecos que ilustram nada, é foleiro e infantil.

3. O chamado quote dropping. Eu tenho lá como saber se o Xiribi da Esquina disse que "Os povos juntam-se para agregar a felicidade"? Quando começam a citar autores entro em transe, ouço um zumbido nos ouvidos e em tendo levado mala onde caiba a AK sou menina para atirar a matar. 

4. Não há quote dropping que não venha acompanhado de name dropping. Se não for pertinente, não digam Giddens ou Beck ou Therborn. Nas aulas já é suficientemente irritante ter que levar com aquelas fofuras de colegas que dizem "Mas isso não é necessariamente o que é defendido por Margaret Archer" e depois olham para os lados a ver se o seu brilhantismo está a ser reconhecido. O que está a ser reconhecido é o profundo enfado que me despertam. E não façam name dropping obscuro. Eu sei lá quem caralho são os vossos autores base! Se eu disser Qvortrup, Prout e James vocês ficam a saber mais, menos ou o mesmo que antes? O pedantismo é tão feio que devia ser coimado.


Ouçam-me que eu não duro sempre. 

Karvela (adoro posts que me fazem arregaçar as mangas quando escrevo!)

3 comentários:

tagouy disse...

totalmente de acordo contigo :)

Sandra Cunha disse...

Tão bem dito!! E ainda tu não estiveste lá à tarde. Aí é que terias pano para mangas :)

Mariam disse...

Não sei se já viste este filminho:

http://www.youtube.com/watch?v=lpvgfmEU2Ck&feature=player_embedded

Explica taaaanta coisa do que aqui falas!