terça-feira, julho 06, 2010

A prick in the making
Ou
Um post com legendas

A minha vida social - ir ao banco; ir aos correios - está de tal maneira acelerada que quase sangro do nariz, tal é a velocidade deste comboio desnorteado.

Hoje, num desses eventos sociais super especiais, estava nos correios de Alcochete. É necessária uma palavra prévia para os desconhecedores do especial sotaque (acento dialectal, diriam alguns) do Alcochetano. O Alcochetano é um dialecto entre o pescador da Nazaré e o cigano a quem roubaram a Ford Transit e toda a roupa e polyester que lá tinha dentro. E alto. O Alcochetano é um dialecto que se fala alto.

Ou seja, estou eu na paz do meu evento de meia manhã quando uma senhora munida de um megafone étnico entra nos CTT acompanhada de seu doce netinho.

Senhora do megafone - Pára quét! Pára quét! PÁRA QUÉT! AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAI CA BURRA VAI ÀS COOOOOOOUVES!
Pára quieto, pára quieto, ai que vou ter que me aborrecer contigo.

Simpaticamente, a senhora dá-me um encontrão para se poder sentar. Tal foi o modelo de excelência que a avó apresenta ao neto que, logo de seguida, sinto um mini empurrão do puto, que também não aprendeu a pedir cólssensa (com licença).

Segue-se o seguinte diálogo, relembro, sempre trocado como se fosse um momento de revista à portuguesa, agora com mais sotaque.

Senhora do megafone - Ukék tu kérs pró almoce? Carapázinhs frites com arrezinhe?
O que é que tu queres para o almoço? Carapauzinhos fritos com arrozinho?
Simpático netinho - NÃO!
Não.
Senhora do megafone -Atããã?
Então?
Simpático netinho - Quere carapás.
Quero carapaus
Senhora do megafone - Frites? Podser com arrezinhe?
Fritos? Pode ser com arrozinho?
Simpático netinho - Sim! É a minha qmidã favoritã.
Sim, é a minha comida favorita.

Ora se isto é ou não o chamado asshole in the making? A avó não só lhe dá bonitas lições de civismo e de português como já lhe está a mostrar o quão manipuláveis algumas mulheres conseguem ser. Ah não quero. Então o que é que queres? Agora já quero. Então tá bem. E isto pode ser extrapolado tanto para almoços como para vaginas. Ah, puto. Vais ser um Alcochetano dos valentes: bruto, bêbado, gordo e rodeado de poon.

Se bem que, com esses óculos vermelhos, estão a tramar-te para o sucesso heterossexual. Maziss sou só eu a dzeinr.

Karvela

3 comentários:

sofia disse...

muito bom! consegui visualizar a cena inteira!

Mariam disse...

Eu morro a rir contigo!
(eu morro. A rir. Não contigo, mas das tuas coisas)

Nuno T disse...

"megafone étnico" é muito bom!

Vou passar a usar essa expressão.