domingo, agosto 09, 2009

A entrada nos 30 anos
Ou
Daqui para a frente só pode melhorar


Sexta-feira, dia 7
O dia do aniversário


Sardinhada e franganada, festas familiares baseadas em comida e em falar na Karvela bebé. O costume, o ritual, algo que me faz muita falta e me lava a alma para o resto do ano.

Até aqui tudo bem.

Sábado, dia 8
O dia da segunda festa


Depois de um agradabilíssimo jantar no Aya Bistrot com os amigos gastronomicamente aventureiros, vamos para onde? Olha, já que TODA A GENTE está de férias em Agosto e só um dos meus 15 convites deu resultado, e mesmo assim acabei por me desencontrar dela, vamos mas é para o Casino enfrascar-nos e jogar.

Voltinha pelo Casino, um cosmopolitan para começar a noite, vamos mas é sentar naquele bar rotativo. Entra em palco Ana Brito e Cunha a fazer stand-up comedy.

A Ana Brito e Cunha é, e vou socorrer-me desta página para a descrição:
Ana Brito e Cunha nasceu em 1975 e desde sempre se interessou pelo movimento e pela arte da representação. Participou em diversos workshops de teatro, técnicas de cinema e televisão, dança jazz e voz e pratica patinagem, equitação, danças sevilhanas e flamenco.

Logo aqui podemos ver o talento da petiz. Fez o Conservatório? Nahhh, isso dá muito trabalho. Tem interesse e fez workshops. É que se ainda tivesse talento talvez o Conservatório pudesse ser dispensado. Mas nem isso, senhores. É uma amadora constrangedora. O que podia ser o título de uma música dos Enapá 2000. Amadora constrangedora/ escreves piadas, sim senhora/ mas és má, má má.


E ontem o que fez foi o “Super Mulher”, cuja sinopse é:
Ana Brito e Cunha faz rir muito a sério com as duras realidades do dia-a-dia de uma mulher igual a tantas outras com que nos cruzamos nos seus papéis de colegas, amigas, filhas, mães... enfim, de SUPER MULHER! Os monólogos enérgicos, mas recheados de ternura, conseguem traduzir de forma brilhante as pequenas misérias e também as grandes lutas quotidianas das mulheres. Super-Mulher, um espectáculo recheado de humor feminino... para todos os públicos!

Faz rir a sério de nervos! Ouvir piadas velhas é como comer ovos fora de prazo. Até se comem, mas aquilo fica-se cá com umas ansiedades porque a malta sabe que algo está errado mas agora já estamos ali sentados a comer o bolo, por isso arrisca-se. E se gritar alto ao micro significa monólogos enérgicos está certo.

Os teóricos presentes no casino ontem à noite dividiram-se acerca da identidade da Ana Brito e Cunha:
“É uma que tem uma irmã” (Black Sheep);
“É uma que já foi gorda” (Karvela);
“Quem?” (Todos os outros).

O stand-up da Ana Brito e Cunha resumiu-se a piadas gastas – e gritadas bem alto e com voz de bagaço – sobre orgasmos, sobre loiras, call centers (cujos funcionários eram claramente de origem africana e só isso merecia que alguém subisse ao palco e lhe desse uma chapada nas mamas), sobre funcionários públicos (que era metade da nossa mesa), sobre as mulheres terem que ser mães, amantes, amigas, esposas… e sobre outras coisas que:
a) não percebemos porque ela tem a dicção de um aluno da escola Helen Keller
b) não ouvimos porque estávamos a gozar com a Ana Brito e Cunha

Faltou a piada sobre benfiquistas e sportinguistas e alusões aos aviões terem lugares muito pequeninos e talheres muito pequeninos.

O aplauso que conseguiu naquela noite foi quando disse umas palavras sobre o Raul Solnado (props pró senhor). Nem quando disse a frase final “É pena que não tenham gostado” conseguiu aquilo que queria: um aplauso de misericórdia como quem diz “não amiga, estiveste muito bem… eu própria quando faço figuras de ursa no meu trabalho sou aplaudida de pé pelo chefe e colegas… vai lá comer um ensopado de borrego para seis e chorar, vai…”

Pontos altos da noite:
- Canibal pergunta à senhora que nos trouxe as bebidas se a Ana Brito e Cunha sabia que tinha um microfone.
- Eduardo Beauté com dois boy toys na mesa ao lado a ouvir os piropos com que brindámos a artista.
- Black Sheep a gritar “NÃO!” bem alto quando percebeu que a música não significava o fim da Super Mulher mas sim a transição para outro sketch.
- Olhar à volta e ver que ninguém – mas ninguém – se estava a rir.

Perante isto o que posso esperar para os 30 anos? Só coisas boas porque nada pode superar o ponto baixo atingido com o monólogo da Ana Brito e Cunha. Eu posso apanhar meio litro de sida, ficar de quarentena com a gripe A e o kramer sair de casa para se juntar com um cantoneiro da Câmara… e ainda assim não vou ter tanta vontade de me abraçar a uma bomba e explodir-me no cacilheiro como ontem à noite.

Valeu a acidez partilhada da companhia. E a promoção de cocktails que o Casino tem depois da meia-noite.

Karvela

4 comentários:

Nuno T disse...

Sentir a vergonha alheia é do pior que há. Faz lembrar aquela vez em que a lesbos Solange F foi fazer """stand up""" ao Homem que mordeu o cão, na TVI.

sofia disse...

então venham mais 30

Piston disse...

Desde que se abandonou o nobre gesto de arremessar vegetais para o palco que alguns artistas têm dificuldade em compreender a sua qualidade.

bicho do mato disse...

Muito bom! não consigo dizer mais nada... ;)