terça-feira, junho 10, 2008

Crazy towel lady

Todas as descrições abaixo são verdadeiras e corroboráveis por pelo menos três pessoas idóneas.

No autocarro que leva as ssoas do aérioporto para o hotel estavam os meus pais, eu e o Kramer e mais dois casais. Eventualmente descobrimos que um dos casais era do Montijo e esses até não eram maus de todo. Dentro do género da senhora querer ir nadar com golfinhos e ter ficado chocada por eu não ter interesse em fazer o mesmo; e de fotografar todos os casamentos parolos de americanos na praia. Não gosto de fazer amigos em férias por isso cada família vai à sua vida.

Mas, amigo ou não, a pessoa que mais sobressaiu em toda a viagem, do primeiro ao último dia, foi a Crazy Towel Lady. Descrição: loira mas com uns três tons de cor, 1,60, 75kg (talvez um pouco mais mas não quero ser antipática), roupinhas que não lembram ao demo, um ar totalmente alienado e um marido com um aspecto normalíssimo que a seguia para todo o lado.

Dia 1, a chegada.
Tardérrimo. Mas o jetlag é uma coisa tramada e às 2h da manhã tinhamos era fome. Dirigimo-nos ao bar onde havia comida toda a noite. Eu enfio um cachorro quente, com caixa de plástico e tudo para dentro de um micro ondas e ouço: "ahhhhh... olhe que isso faz-lhe mal..."
Pela minha cabeça passaram as frases:
És obesa e vais comer um hamburger. Acho que eu aguento um cachorro radioactivo.
Conheci-te há 3 minutos.
Cala-te.
Estamos num hotel com tudo incluído e estás a preocupar-te com comida?
Cala-te.

Daí a pouco mais de trinta segundos já eu tinha engorfado o meu cachorro tóxico, olho para trás e está a senhora a comer um hamburger no pão de faca e garfo.

Dia 2, a chuva.
Sem grande coisa para fazer senão tomar banhos de mar à chuva, acabámos por passar muito tempo dentro do hotel. Quem encontramos a vaguear no corredor do terceiro piso senão a Crazy Towel Lady (eis quando recebe o seu nome de baptismo karveliano), com uma toalha na mão, dizendo, afogueada: "Estas toalhas estão sujas...". O meu pai diz para telefonar para a recepção, ela responde algo como "cogumelos, gente, verde, pão, velas, tenho xixi..." e nós fugimos rapidamente.

Ainda no dia 2, a representante da agência, que repetia incessantemente as coisas (fiquei eventualmente a perceber porquê) chega ao meio-dia para nos dar informações. Na véspera ela tinha dito meio-dia umas cinquenta vezes. Vou estar lá ao meio-dia. Meio dia. Doze horas. Meio-dia. Até dá para dormir bem. Meio-dia. Crazy Towel Lady estava lá ao meio-dia e quarenta porque tinha ido marcar os restaurantes temáticos.

Dia 3, a distância.
O medo, mesmo.

Dia 4, Chichen Itza, as pirâmides.
Claro que, sempre que o autocarro atrasou, foi por causa da Crazy Towel Lady. "É para estar aqui às 14h15 para ir almoçar"; ela chega quase às 15h. Um autocarro de portugueses esfomeados não é um bom autocarro.
"Paramos em Valladolid, numa única rua, e estamos lá meia-hora"; estivemos lá quase 45 minutos porque acredito que era inacreditavelmente difícil encontrar um autocarro que estava em frente à loja.

Dia 5, a distância.
Mas, ao longe, uma mulher que pesa mais 15 ou 20 kg que eu com um bikini de semelhantes diminutas proporções e, cereja no topo, tigresse. Acho que a visão desta mulher em tigresse, perante uma multidão de americanas boazudas (a sério, boas e giras... nojentas!), o Kramer sentiu o seu Vietname pessoal a acontecer. Desde esse dia tem os olhos parados e de vez em enrola-se na posição fetal.

Dia 6, a senhora só podia ter um problema.
No dia 6 a Crazy Towel Lady fotografou o buffet.
Entre outros episódios entre os meus pais e a Crazy Towel Lady, um ficou nos anais. O meu pai estava sentado nuns sofás à porta do hotel. Passa a Crazy Towel Lady e pergunta onde fizeramos compras. O meu pai responde que tinhamos ido a Playa del Carmen mas que havia um Centro Comercial mais perto, a 5 minutos a pé.
Sai disparada.
Regressa.
Pede troco de 20 euros ao meu pai.
O meu pai diz que não tem.
Sai disparada.
Regressa com diversos sombreros de Mariachi.
Entabula uma conversa sobre a partida no dia seguinte.

Karvela-Pai: Pois, a saída é amanhã... o autocarro é às 16h10, mas também a espera não é grande, desde o meio-dia.
Crazy Towel Lady: Tem que se sair do quarto ao meio-dia?
Karvela-Pai: Sim, em todos os hotéis!
Crazy Towel Lady: Mas isso também se aplica aos turistas?

Não.

Dia 7, a partida.
11h30 Crazy Towel Lady sobe para o quarto. Acabamos por nos encontrar todos no restaurante, cada um em seu canto, felizmente. Pensamos todos que a senhora até estaria a atinar. Mas não. Não. Ainda estaria tudo por acontecer.

Às 15h50 decide sair do hotel para fazer compras de última hora. Às 15h55 o autocarro para o aeroporto chega, adiantado. A representante diz que os vai procurar e eu respondo que não vale a pena porque foram às compras. Chegam à hora combinada e tudo bem, siga para Cancun.

A representante disse umas, vá, 38 vezes para não levarmos líquidos na mala de mão. Algumas pessoas tinham-se esquecido e abriram as malas grandes na fila de check-in, outros, como eu, beberam meio litro de água de seguida.
No check-in a senhora pergunta têm líquidos na bagagem de mão?
A caminho do controlo de bagagens, um senhor em cartão, em tamanho real, dizia que dali para a frente nada de líquidos na mala de mão.
Subimos as escadas rolantes e um senhor em cartão, igual ao outro, relembrava que dali para a frente nada de líquidos.
Antes do controlo de bagagens dois seguranças perguntavam sobre vários tipos de líquido: água, bebidas alcoólicas, cremes para a cara.

A fila de controlo de bagagens onde calhei nunca mais andava. O Kramer, ligeiramente mais alto, diz "Adivinha quem é que está a empatar esta merda". Lá estava ela, com o ar mais confuso do mundo, ligada no modo turista, com uma t-shirt a dizer RIVIERA MAYA, chapéu de cowboy a dizer CORONA e sem conseguir compreender porque é que os senhores que estão no Raio X a tinham parado. Se calhar porque, ao pedirem para abrir a mochila, descobriram um dia inteiro de mini-bar do hotel lá dentro.

Suponho que à pergunta "Tem líquidos na mala?", a resposta dela era "Não......... tenho Fanta".

Crazy Towel Lady, és a minha heroína. Crazy Towel Lady Husband, corre como o vento!

Karvela (acredito que o Kramer se lembre de mais coisas... comenta, comenta!)

6 comentários:

fabricius_towel_lade_fan disse...

este post fez-me verter alguns liquidos (lágrimas também).

E a pergunta q todos colocarão neste momento: Ha fotos da crazy towel lady, nao?

grandes férias!!

Espero q as proximas sejam em Majorka. :P

Arnaldoooooo disse...

Blá blá blá....quero fotos da gaja

Zariza disse...

Me likes crazy towel lady

kramer disse...

Não me ocorre comentar, pois ainda procuro apagar da minha memória a imagem dessa besta com um bikini diminuto em estilo TIGRESSA.
E pior, não consigo esquecer que passou mais de 1h30 dentro de água, no mar, com o marido sabe-se lá a fazer o quê......NOJO.

Anónimo disse...

Deves estar vermelha como camarão, cansada, com jet lag e furiosa por teres de voltar para o trabalho. Mas, livraste-te da "crazy towel lady" e só foram uns dias... Imagina o marido!!!!!
Beijocas

Dauphin disse...

Essa senhora é grande, pá!
Tens fotos dela?
Obrigado pelo relato, acabei de me queimar com o colega novo que me viu a rir...ou talvez, no juízo dele, ver a minha "evolução em lágrimas" a descer pela cadeira e a enroscar-me no chão a imitar a ignição de um autocarro.