sexta-feira, maio 09, 2008

Dos nomes que dão às crianças
Ou
Violência doméstica não é só arrear-lhes forte e feio

Eu chamo-me Clara. Hoje tenho amor profundo pelo meu nome mas passei por anos de “Clara dos ovos” ou “Clara escura” ou “Clara gema”. Eventualmente aprendi a responder “Tá giro… ainda não tinha ouvido essa hoje. Tens mais?”. É um bocado aquilo a que chamo o efeito do gafanhoto. Quando era pequena tinha pavor de gafanhotos mas quando os meninos me perseguiam com bicheza do género, em vez de fugir, eu era a rapariga que me ria e dizia: “Não tenho medo disso…”; e lá iam eles atrás das meninas que corriam de pavor enquanto não reparavam que eu estava lívida e nunca agarrava nos bicharocos. Por isso, apesar de me apetecer sovar violentamente todos quantos faziam piadas com o meu nome, respondia torto. Como quem goza não gosta de ser gozado rapidamente as piadas giras com Clara terminaram.

Hoje as minhas amigas começam a desovar. Seus borregos chamam-se Madalena, Marta, Catarina, Gonçalo, Matilde, Henrique, Tiago, João, Guilherme.
O descalabro começou com uma das minhas melhores amigas que chamou Íris à filha. É sabido que os nomes determinam à partida o futuro das crianças e tendo esta minha amiga a probabilidade de transmitir à criança o gene do estrabismo, nunca o nome Íris foi tão irónico.
Depois temos os casos graves:
- Um colega de trabalho que quer chamar Sandro ao seu primeiro filho. Costumo perguntar-lhe se quer que o menino nasça cigano. Para ajudar à festa, se for menina gosta de Vanessa e de Karina, com k, de preferência Vanessa Karina. Também lhe costumo dizer que se pode tirar o rapaz do Cacém mas não se pode tirar o Cacém do rapaz.
- Contudo, umas ex-colegas de secundário têm o pleno do gosto questionável: a primeira teve uma filha, chamou-lhe Constança. A segunda teve um filho, chamou-lhe Salvador. A terceira teve uma filha, chamou-lhe Benedita. Hoje dizem-me que a segunda filha desta terceira se chamará… wait for it… wait for it… Caetana.

Dentro do poker que são os nomes das crianças, estas gajas fizeram o royal flush dos nomes impronunciáveis, difíceis, longos e gozáveis. Constança, pega-me na pila e faz-me uma trança; Salvador, tenho aqui uma dor; Benedita, contado ninguém acredita; Caetana, mata a tua mãezinha durante o sono e vai ao registo mudar de nome para Ana ou Maria.

Karvela

9 comentários:

Minerva McGonagall disse...

Depois de ter conhecido um Demóstenes Nabucadunossor, todos esses nomes me parecem maravilhosos.

Soninha disse...

Qualquer dia sou despedida antes de ser admitida. Rir é proibido onde estou sabes? Ja pensei libertar gases para ver se este pessoal se mexe 1 cm. Depois penso... estarão mesmo a trabalhar? Ou já atingiram o nível da virtude em que se consegue ler um blog destes e não rir? Nahhh... era olhar para a cara deles ...

Kramer disse...

Só para deixar aqui escrito que considero este um dos melhores posts das últimas semanas.

Gozei!

Zana disse...

Há quem tenha como nome prórprio Catuxa. Não conheço a senhora, só "tropecei" no nome dela aqui no trabalho.

Piston disse...

Íris? Vai ser dançarina exótica/puta.

Restelo disse...

Íris? Há nomes que não deveriam existir, outros não deveriam ser traduzidos...

kramer disse...

A Iris pode casar com o Lindolfo (sim, existe).

Nobody disse...

É, pá, cum caetana!

Tânia & Filha disse...

A minha tem nome de bolo ne?? Madalena!!