quinta-feira, abril 03, 2008

I don't like the drugs but the drugs like me

Tomar relaxantes musculares é possivelmente das melhores sensações de sempre. Primeiro porque dorme-se maravilhosamente, depois porque se acorda um bocadinho sem se saber onde se está, o que é sempre reminiscente de alguns tempos de faculdade, o que para uma pêga velha e acabada como eu é sempre positivo.


Ontem à noite tomei um relaxante muscular para as costas e às 21h estava no sofá a babar-me para cima das almofadas (atenção aos frequentadores de chez Karvela: não se encostem às almofadas porque tem baba de cão e, mais nojento, minha!). Hoje de manhã ainda pairava num doce nevoeiro de confusão e assim pairei durante a manhã.

Durante a manhã tive conversas interessantes, aposto, mas não me lembro de nenhuma. Lembro-me vagamente de, no chat do gmail, ter conversado com a maria acerca de formas de me livrar do corpo da tal amiga gira no milharal e porquê num milharal (e de ela ainda me incentivar a fazê-lo e a dar-me alibis... please do not feed the crazy woman) e de à tarde lhe ter feito uma declaração de amor eterno (aí já tinha passado parte do efeito, não sei qual é a minha desculpa!), de uma colega minha ter trazido o filho e eu o ter tratado por Eddy em vez de Eduardo e de ter recusado um convite para piquenicar com os colegas porque não me apetecia sentar num piso irregular.
Possivelmente despi-me no 714, gritei "Eles vêm aí. A sonda não, a sonda não!" mas isso pode não ter sido real.

Depois de almoçar passa o efeito e começo a ter dores, desato aos palavrões para todas as janelas que tinha abertas no msn, para todos os colegas que entravam no meu gabinete, ao que alguém respondeu que eu estava de volta. Decididamente uma Karvela zen é uma Karvela fora de si. Se as luzes estão acesas e não está ninguém em casa podem crer que tomei coisas.

Claro que entretanto desejei estar sob o efeito porque abro o iogurte sagrado da tarde e a mensagem que a Danone tinha para mim, qual fortune cookie dos pobres, é: "De carinho em carinho se faz grande o menino". Todos os homens que eu conheço concordariam. E a mente semi-drogada, semi-dorida e carregadinha de vontade de trabalhar comeu o iogurte com a vaga sensação que alguém tinha agitado o menino dentro da iogurteira lá do Shor Danone.

Karvela (Zzzzzzzz.zzzzzzzzzzzzzzz.....zzzzzzzz)

3 comentários:

Sandra Cunha disse...

Bem, grande coincidência! Também tive umas dores horríveis nas costas (na zona da omoplata esquerda) e depois de ter tentado de tudo durante uns dias e estar quase a morrer lá fui ao médico: analgésico, anti-inflamatório e..... relaxante muscular.

Mas para a próxima quero do teu!!! É que os únicos sintomas que tive foram um sono insuportável durante todo o dia (mesmo depois de dormir 10 horas seguidas), a garganta sempre seca e uma sensação constante de ter a boca cheia de farinha, cabeça pesada, vontade de não fazer nada e pesadelos que eu nem me quero lembrar. E só ao fim de sete dias de medicação intensiva é que posso respirar e andar normalmente sem ter toda a gente a perguntar-me "O que é que tens? Dói-te o pé? Estás coxa? Tens um torcicolo? Hoje estás estranha".

Está decidido. Quero o teu médico e a tua trip!!

Headache disse...

Eu já conduzi sob o efeito de relaxantes musculares.

Não aconselho nada.

Ana A. disse...

Pedrada, pedrada dá o Parlodel (um medicamento anti-parkinsónico que se usa também para secar o leite porque tem uma percentagem de hormonas que induzem a isso).
Tomei uma vez. Fui parar às urgências com uma queda de tensão brutal!