domingo, abril 06, 2008

Casamento #2
ou
Das celebridades menores

A chocante revelação que o padrinho da noiva do segundo casamento de 2008 é leitor assíduo da lagosta faz com que não me seja moralmente permitido comentar negativamente alguns detalhes. Nomeadamente pela via da porrada da grossa da próxima vez que o encontrar. Vou ser fofa e simpática.

O local foi altamente original, num edifício do Estado Novo mesmo por cima do Buddha Bar. Canibal fez questão de ser fotografado a acenar aos barcos com um lenço branco, para se despedir dos nossos valentes homens que partem diariamente para as Províncias Ultramarinas. Acho que os restantes convidados não compreenderam a fina ironia.

As farpelas não estavam mal; talvez por ser um casamento nocturno, devia haver a maior concentração por metro quadrado de mulheres com saltos vertiginosos, esta que vos escreve incluída. O avô toca La Vie En Rose no acordeão à entrada da noiva e siga que temos fome.

Encontrámos os nossos parceiros de mesa, entre eles um casal e o filho que parecia o Joaquín Cortez, mas os três todos excelentes companheiros; e uma senhora de cabelo todo branco, funcionária pública, que sendo ela um bocadinho menos inerte e com os olhos menos mortiços, teria assassinado o Canibal quando exclamou alto e bom som “Sim, os funcionários públicos sofrem muito!!!”.

Tendo chegado à conclusão que andámos todas de dieta na semana anterior, trocámos vigorosos “Hoje é que vamos tirar a barriga de miséria!”, mas os aventais dos senhores, bordados de “Gourmet” qualquer coisa estavam a deixar-me inquieta. Chegados à comidinha, vem tudo em miniatura: sopa de peixe em miniatura, folhado de marisco em miniatura e um prato principal de carne menos em miniatura mas perante o qual já havia algumas combinações de retirar 20 euros aos presentes dos noivos para ir comer cachorros à banquinha das Docas daí a um bocado. Pronto, lá apareceram duas mesas de sobremesas que salvaram a honra da boda.

Mas o importante neste casamento não foi a noiva, não foi o noivo, mas sim a presença de Humberto Bernardo, esse grande senhor das gaffes irremediáveis. A princípio vejo-o na multidão e penso que o glaucoma me está a pregar partidas. Mas vejo-o de novo. E de novo! E pergunto a quem me rodeava o que raio fazia Humberto Bernardo na boda. Tão chocante quanto o padrinho ler o blog foi o facto de toda a gente com quem eu estava saber quem é o Humberto Bernardo. Quando confirmaram que era mesmo ele, ainda foi adiantado que se calhar ele é tipo o Emplastro, que é contratado para ir com os putos do secundário a Loret del Mar, mas quando vimos a ordem das mesas lá estava ele!

Impressões genéricas: tem cara de tonto, tem cara de puto estrábico e um ar de auto-satisfação que não sei de onde vem. Só sei que o senhor padrinho (obrigadinhos!) passou a noite a fingir que mo ia apresentar e eu sem saber onde me meter porque não lhe ia dizer que gosto muito do seu trabalho e o mais certo era dar-lhe o endereço do blog e chamar-lhe carne para canhão logo directamente.

Contudo, e aqui vem a face simpática da menina, devo dizer que ele escapou ao meu pressuposto inicial que todos os homens que eu conheço são gay: ele tem uma companheira, giríssima, dona de saltos vertiginosos, e que a meio da noite sai do bailarico a abanar-se toda, tipo aqueles canitos que se põem no tablier do carro, dizendo “Isto agora começou, já não paro!”. Agora que penso nisso, olhando para a menina, já entendo de onde vem o ar de auto-satisfação…

Humberto Bernardo, de todas as pequenas celebridades do nosso país, tu és o que mais satisfação me deu estar ao lado. Quais putos dos Morangos ou gente dos reality shós… um homem nunca é realmente um homem completo até trocar o nome a uma Miss e/ou passar pelas garras afiadas e sedentas de sangue fresco da Teresa Guilherme!

Karvela (padrinho da senhora vestida de branco, sugadito!)

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