domingo, janeiro 27, 2008

Isto é tipo a caderneta do Roque Santeiro

Estou a ponderar a criação de um cartão de bingo com os diversos cromos do barco. Distribuo pelos meus amigos e ao fim da semana ganha aquele que tiver coleccionado mais. Um bingo será recompensado com um café no bar do catamarã, feito directamente com água do rio. Isto fará de todos nós, eventualmente, mutantes com sede de vingança.

Neste cartão poderíamos ter:
1. A abat-jour de cona. Na sexta-feira passada a saia era tão curtinha que juro que lhe vi o pipi.
2. A mulher caniche. Uma miúda que decidiu pintar o cabelo de loiro palha (foi, aliás, a razão pela qual decidi deixar de ser loira: tive noção antes de ser tarde demais), é magra mas tem dois queixos e, cereja no topo, parece que foi vestida às escuras por dois chimpanzés com sentido de humor. Praticamente todos os dias lhe ladro.
3. O boneco de ventríloquo. Um rapaz que é muito mais pequeno que a namorada, o que me dá sempre a imagem dele sentadinho no joelho dela, mãozinha pelo cú acima: “Donále, vamos cantar uma canção?” Ainda por cima ele está a ficar algo careca, o que é uma infelicidade.
4. A mulher sirene. Na semana que passou fiquei entre a fila da mulher sirene e a das amigas da mulher sirene. A mulher sirene tratou-me como se fosse transparente e falou para cima de mim durante alguns minutos. Ainda hoje tenho um zumbido nos ouvidos.
5. A lésbica. A lésbica é casada. A lésbica não lava o cabelo e sai de casa tal como se levantou. Felizmente veste-se. Infelizmente, veste-se com quatro camadas de roupa polar. O kramer faz piadas com cabelos sujos mesmo atrás dela. Eu digo-lhe que tenha cuidado, que aquilo é menina para conduzir o camion de 18 rodados de encontro à nossa casa, mas ele não me liga.
6. As amarguinhas. Um grupo de senhoras que tem lugar marcado. Quando faço o check in para o barco nunca me perguntam o lugar, mas isto uns são irmãos e os outros são enteados. Sexta-feira passada sentei-me com as minhas companheiras no lugar das amarguinhas. As outras foram para outro lugar, mas uma delas ficou firme e hirta. Perante os nossos olhares e subsequente retoma da conversa sem lhe ligar, ela levanta-se e diz à mãe de uma das minhas amigas “SENTE-SE ALI”. E ela, coitadinha, agarrou nos tarecos e sentou-se ali.
7. A Patsy. Eis a senhora preferida do Fabricius. É uma senhora que se veste como se tivesse menos 80 anos. Funcionária pública em fim de carreira, claramente. E, agora que o tempo o permite, às vezes um bocadinho a dar para o Maio de 68 depois do acidente, camisola às riscas, leggings, barrete. O Fabricius gosta dela porque frequentavam o mesmo ginásio e as mesmas aulas e ela só fazia o último exercício de cada sequência. Se calhar porque levava toda a bijutaria que possui para aulas de Body Pump, o que dá muito jeito, especialmente naquela parte de içar 5kg com o lombo.
8. A Xixalinho. Esta senhora é uma alcochetana antipática (aliás, daquelas que dá mau nome a uma terra que gosto muito!), tem ar de quem está sempre mal disposta e nota-se quando estamos a meio da semana pelo nível de óleo no cabelo. A Xixalinho tem este nome porque uma vez um motorista novo enganou-se e em vez de virar para o cais do Montijo ia virar para outro lado e a senhora grita, em plenos pulmões: “Este carro vai para o Xixalinho! XIXALINHO!”. Todos os dias a Xixilinho sai do autocarro a correr, abanando a peida gorda, o que lhe dá uma estranha forma de losango, e tem que ser a primeira a entrar no barco, a primeira a estar no bar para beber um abatanado, acompanhado de – e aqui eu morro todos os dias! – uma sandes embrulhada de casa!!! Aprecio o esforço de poupança, mas podia comer sentada e ir beber o café depois. Ou vice-versa. É uma questão de educação. “XIXALINHO!”

Karvela (Apercebi-me que ao fim de tantos anos ainda gosto de coleccionar cromos)

9 comentários:

Anónimo disse...

Adorava conhecer a mulher caniche...

rititas disse...

muito bom! não duvido que esses cromos existam mesmo.
Eu também fiz uma lista de cromos quando estava no mne, naquelas lindas semanas em que cerca de 20 individuos tiveram formação... Para não mais esquecer. (é que tinhas de tudo, desde lésbicas a velhos tarados).
pronto, beijinhos.

tavguinu disse...

tens lá um prémio no comia-te, o Premio Top 10 !
Vai lá buscar !

apesar de não comentar aqui, acho o blog EXCELENTE !

continua com esse humor brilhante !

Headache disse...

Xixalinho?

VMR disse...

Felizmente durmo nos transportes públicos.
Tomei essa decisão para não me orinar de riso...desde que vi um homem a dormir no comboio com um cotonete pendurado no ouvido.

Anónimo disse...

A mulher vampira da lavandaria seria um bom proximo cromo.

Maria Vinagre disse...

Ai o que me ri!!!
Tanto pela caderneta, como pela coleção de cromos (na íntegra) como pelos comentários aqui colados!
Um cotenete pendurado no ouvido!!!

Tenho é que ter cuidado para não se ouvir quando vou no combóio a falar sózinha - não vá alguém ir na mesma carruagem e ser autor de um blogue, safa!

Fabricius_luvs_Patsy disse...

Amores, a Karv n exagerou em nada!
Estas pessoas existem mesmo. E parecem q esperam que alguem tome conta destas almas e se riam delas.

oh pah....a patsy, menzinhos!
era de ver a senhora sempre com um ar fatigado nas aulas de body pump. maquilhada até quase na AXILA!! e ao levantar os pesos, qd se parava a musica, ouvia-se o "clinm clim" do ouro!

enfim, uma caturra, es senhora!

Tio Paulo disse...

Estava a ler os cromos e estava a visualizar as personagens, pq algumas eu sei quem são.

Não posso deixar de ter a minha "croma" favorita a Patsy que conheço mto bem tal como o Fabricius, q tal como ele tivemos aulas juntos no gym.
A Sr.ª é fantástica e caso n saibam ela continua linda e maravilhosamente pintada no ginásio.
Éssssssss grande Patsy!!!