sábado, maio 05, 2007

Pli

Começa a incomodar-me o facto de ter inúmeras pessoas a perguntar-me, na rua, no blog, no trabalho, na vida: "Magnânima Karvela, quem são as tuas referências humorísticas?”

Responder Herman, Markl, Python, é fácil e notório. Mas há uma referência no universo infernal que são os refegos do meu cérebro, da qual nunca falei, e que é o Sr. Scott Adams. O Sr. Scott Adams é o criador de Dilbert. A certa altura, deixou de fazer só BD e passou a escrever também livros, magníficos, sobre o mundo empresarial. Na altura em que conheci Scott Adams trabalhava na Sonae, essa bosta fumegante directamente saída do ânus do elefante empresarial português, e achava muita piada ao senhor porque ele acertava em cheio no alvo. Hoje continuo a gostar, apesar de já não ter a ver com a minha realidade.

Uma das minhas personagens favoritas é o Pli. O Pli é o Príncipe da Luz Insuficiente, excelentemente traduzido do inglês Phil, The Prince of Insuficient Light. Ele governa o Heck, local para onde vão os infractores que não fizeram mal suficiente ao mundo para ir para o Hell. Costuma andar com uma colher gigante, com a qual bate às pessoas. Lembro-me de ter rido até chorar com toda a noção de Pli.
O Scott Adams continua a fazer cócegas na planta do pé do meu humor. Ando a reler os livros dele que não são BD (a colecção é grande mas ainda não tenho tudo!), e continuo a adorar as metáforas.

E agora, ao estilo de Scott Adams, que inclui nos livros histórias verdadeiras de leitores, aqui está uma história real – há sempre um idiota a implementar medidas supérfluas e desnecessárias, acessórias a coisas mais importantes como aumentar salários ou dar regalias:
Trabalhava eu na Sonae, num dos muitos departamentos e afins que a empresa tem, quando um dia o meu chefe directo vem ter com a “ilha”, onde estavam gestores e administrativos. O meu chefe tinha os dentes verdes (literalmente! Há poucas semanas um grande amigo que ficou desses tempos telefonou-me histérico porque o boss tinha finalmente feito uma limpeza e branqueamento!), voz de bagaço e a irritante mania de espetar a pança para a frente e pôr as mãos nas costas. Chega-se à ilha, diz “A partir desta semana as sextas-feiras são dias “casual”, por isso já sabem, não precisam de trazer fato!”. Eu, vestida de calças de ganga, sweat shirt e ténis digo “Ok”, como os outros, e olho muito concentrada para o monitor para não explodir de gargalhada por causa da palavra “casual” pronunciada em inglês da Brandoa “queizual”. Ou para não lhe dar com um téne nos cornos gritando “Seu dentes de lodo! Aumenta-me o salário para que eu possa comprar fatos e depois falamos de dias queizual!”
Não tem realmente piada, é mesmo só um desabafo…

Karvela

4 comentários:

Fabrícius_o_emigrante_ignorante_flagrante disse...

Na minha companhia nao ha “quêjual dêi”. Usamos a merda do uniforme e pronto.
Quando n está a chefe, por vezes tiro a gravata, pois assim deixo de ter a cara completamente vermelha, os olhos a saltar e assim consigo respirar melhor.

Magoonífico disse...

o dilbert é sem dúvida um dos meus personagens comic favorito, mas este comentario tem outro objectivo. sempre tive uma dúvida que nunca ninguém me consegui tirar, ou seja, nunca se chegava à unanimidade desejada: o singular de tenis é tene ou tenis?!

grande post!

Tagouy disse...

Não sei porquê pegam sempre com a Brandoa, eu até gosto do brandoínos...

That Old Anonymous disse...

Hum...

Bom elenco de referências de humoristas!

Mas diz lá, diz lá, se por vezes não te inspiras a pensar no sorriso do Arnaldoooo e na cara de pau do fabricius, ah?....