terça-feira, outubro 03, 2006

Ai que simpática
ou
Como ter três maus diálogos em cinco minutos ou menos

Os factos:
Fui ao centro de documentação de um instituto do nosso Portugal fazer pesquisa.
Pedi fotocópias.
Cobraram 1,26€.
Fui buscá-las hoje à hora de almoço porque o local está aberto a essa hora.
Interrompi o almoço da recepcionista.
A recepcionista tem cerca de 30 anos, 100 kg e barba.

Os diálogos

Diálogo real #1
Karvela - Desculpe, interrompi o seu almoço
Menina da recepção (ainda a mastigar) - Não
Karvela – Está bem!

Diálogo real #2
Menina da recepção – Vai querer um recibo?
Karvela – Não.
Menina da recepção – Mas eu dou-lhe na mesma!
Karvela – Está bem!

Entre este diálogo e o seguinte chegou a contabilista que olhou para mim com ar de nojo, como quem diz “Este ser atreve-se a pedir um recibo de 1,26€? O horror! O horror!”

Diálogo real #3
Karvela – Então adeus, boa tarde.
(rodo a maçaneta da porta para o lado instintivo, a esquerda!)
Menina da recepção - É para o lado contrário, para a esquerda!!!
(rodo a maçaneta para a direita, porque pensei, numa fracção de segundo “Coitada, ela queria dizer ‘para a direita’ e teve um lapso!”)
Menina da recepção (gritando como uma educadora de infância à beira do suicídio) - PARA A ESQUERDA!
Karvela (baixinho) – O quê…? Para onde estava a virar logo ao início?

Saí de lá furiosa, não com o comportamento dela, mas com a minha falta de genica para responder. Por isso, aqui vai agora a resposta como deveria ter saído.

Diálogo imaginário #1
Karvela - Desculpe, interrompi o seu almoço
Menina da recepção (ainda a mastigar) - Não
Karvela – Ah, pois é, desculpe. Esqueci-me que vocês ruminam.

Diálogo imaginário #2
Menina da recepção – Vai querer um recibo?
Karvela – Não.
Menina da recepção – Mas nós damos na mesma.
Karvela - Mas eu não quero! E tu, ó contabilista, vê lá se mudas de atitude senão em vez de deixar o recibo no lixo, deixo-o no fundo da tua glote!

Diálogo imaginário #3
Karvela – Então adeus, boa tarde.
(rodo a maçaneta da porta para o lado instintivo, a esquerda!)
Menina da recepção - É para o lado contrário, para a esquerda!!!
(rodo a maçaneta para a direita, porque pensei, numa fracção de segundo “Coitada, ela queria dizer ‘para a direita’ e teve um lapso!”)
Menina da recepção (gritando como uma banshee) - PARA A ESQUERDA!
Karvela (baixinho) – Eu compreendo. Se eu tivesse barba também gritava com as pessoas.

Karvela

8 comentários:

Arnaldoooooo disse...

para a próxima vou contigo....

Então é aí que está a mulher barbuda, quando não está no circo....

Minerva McGonagall disse...

Às vezes também tenho vontade de responder à letra, mas isso só aconteceu uma vez, e soube mesmo bem! Foi com um daqueles anormais que estão na rua a fazer inquéritos. Ia comendo o gajo, a minha mãe até ficou a olhar para mim com ar de quem pensa, "caramba, nunca a vi assim!"

Dauphin disse...

hum... não costumo visitar repartições de finanças, aliás, centros de documentação... mas ela não fazia rolinhos com os dedos na parte final da pêra?

virgolina disse...

Por que será que, quando estamos fora de algum serviço da função pública, dizemos que "Ah e tal...se fosse comigo, isso não era assim". Mas na verdade quando lá vamos, ficamos engasgadas e a vontade de lhes dar um estalo, transforma-se num sorriso conformado: Que raiva!!!!

Anónimo disse...

...isa,
eu dizia muito educadamente ( veia essa k tu conheces!)...vai pá puta k pariu!!!

Anónimo disse...

AHAHAHAHAHAHAHAHAHAH!
Muita gente que conheço se queixa de não ter resposta no momento e passados 5 minutos ter imensa coisa para dizer. Eu sou ao contrário: digo tudo e mais um par de botas no momento e, se fui muito dura, passado 5 minutos começo a pensar nas coisas que não devia ter dito... lol

rititas disse...

lolol!
eu passo a vida a inventar diálogos que poderiam ter encaixado tão bem naqueles momentos... mas em vez disso resigno-me a ser bem educada... que nervos que isso dá!
bjs

silvie disse...

sobre este post...e um cadinho atrasado...tenho uma para partilhar ctg...
silvie marie vai regularizar a sua situação à segurança social...(esse mito!)...então...a senhora roliça que me atende (se é que é possivel, e até aqui, simpática) escreve-me um papelinho cor-de-rosa com um numero de telefone...para eu ir ligando para saber como o meu processo vai andando...
o papelinho rosa dizia: "265530319 T. ind."

moral da história...tenho SEMPRE um Telefone INDisponível para ligar quando me apetecer...

um beijo gordo para ti e para todas as senhoras roliças que nos atendem neste país...