domingo, setembro 24, 2006

Tomei uma decisão

O mundo é feito de opções e opiniões, e eu decidi marcar a minha posição: sou a favor da adopção por homossexuais.

1. Os homossexuais de hoje são filhos de heterossexuais. Esses tinham maus exemplos em casa? Pois pode ser que homo + homo = filho hetero. Uma espécie de menos com menos dá mais. A não ser que o pobre petiz, potencial projecto de macho, tenha visto o seu reprimido pai a rebolar no feno com o tratador dos cavalos.

2. Não me parece que o argumento das crianças poderem vir a ter problemas por não terem uma mãe ou um pai em casa seja válido. Ou isso ou todos os meus amigos de pais divorciados ou viúvos são serial kilers em potência. Mas as famílias monoparentais são tão do demo como os gáis. Tudo farinha do mesmo saco!

3. Por questões de justiça social: se os homossexuais pagam impostos e têm as mesmas obrigações que eu, porque é que não podem ter os mesmos direitos que eu tenho? Mesmo não tendo eu direito a um BMW de serviço como os políticos!

4. Por questões de justiça de género: um casal de lésbicas pode procriar e não há Estado democrático no mundo que lhes possa negar o direito de educar essa criança; os homossexuais masculinos não podem fazer mais do adoptar como solteiros. Essa criança nunca poderá ser herdeira dos dois, nunca poderá duas figuras parentais com plenos direitos sobre ela.

5. O argumento tabu “Homossexualidade e pedofilia são a mesma coisa” enoja-me e peço desde já que nunca o digam perto de mim, porque uma bicha ensinou-me a arrancar olhos à unhada e não terei pejo em utilizar esse poder.

Ou seja, sou totalmente a favor que os homossexuais adoptem crianças. Agora o truque: adoptem como solteiros! Se o Estado português não se importa de tapar o sol com a peneira e introduziu a adopção por solteiros, não foi apenas para não discriminar os não casados. Acredito na boa fé deste legislador.

Karvela (curiosamente, n’O Sol de ontem o Ricardo Araújo Pereira também diz que é a favor, mas por mero acaso escrevi este texto antes disso. Grande RAP!.)

13 comentários:

kramer disse...

Nao tomaste uma decisão. Assumiste uma posição. E bem.

É um tópico controverso. Podemos dizer que existem péssimos exemplos de famílias heterossexuais - tidas por tradicionais - e que isso é, por si só, argumento de sobra nao criar entraves à adopção por homossexuais.
Não é mentira.
Mas não obstante todos os possíveis argumentos de justiça social, tais como o de que todos pagamos impostos, todos temos as mesmas responsabilidades e direitos,etc, continuo a não conseguir concordar a 100%, pois continuo a idealizar outro modelo de família.
Da mesma forma que digo isto, digo que deveriam existir mecanismos legais mais duros para que pais de famílias tidas por tradicionais que revelem inaptidão ou incapacidade para criar e educar os seus filhos (como temos tantos exemplos de irresponsabilidade) possam ficar sem a tutela filhos.
Chamem-me o que quiserem.

kramer disse...

ó karvela não te chateies.

Concordo que homossexualidade e pedofilia não são a mesma coisa.
A primeira não é doença e a segunda é!
No entanto, o belo caso Casa Pia mostrou que aqueles doentes "são doentes" por rabinho de menino e não por meninas. E talvez por isso se tenha agravado a confusão.

p.s. A esmagadora maioria de casos de pedofilia ocorrem dentro do seio das familias entre pais/avós/tios e filhas/netas/sobrinhas.

kramer disse...

Desculpa lá o abuso de comments, mas ainda nao falei das amantes de crikas.
Porque é que tem que haver sempre uma "grande camiona", tipo motoqueira?
Será apanágio de lesbianismo haver sempre uma "matracona"? Se não gostam de homens porque é que tem de haver um macho na relação?
Que raio, porque é que não são comos nos filmes porno? Hum? Gostosas, jeitoas, dóceis.

Malditas lambe crikas, assim não dá para fantasiar.

Rui Cruz disse...

Estás errada no teu ponto 4: a herança pode ser deixada, quando escrita e confirmada a assinatura, a qualquer pessoa dentro ou fora da família (lembra-te de mim quando morreres).


Rui

Sandra Cunha disse...

Pois eu concordo inteiramente contigo Karvela.

Sou totalmente a favor de que os homossexuais adoptem e se casem (apesar de considerar o casamento uma grande parvoice e totalmente desnecessário)e façam o que quiserem e bem entenderem. Não são menos capazes de amar e educar convenientemmente uma criança do que qualquer outro cidadão, só pelo facto da sua opção sexual ser diferente da da maioria.

Já não posso dizer o mesmo dos católicos praticantes fanáticos. Esses, na minha humilde opinião, até deviam ser proibidos de ter filhos (adoptados ou biológicos)!

É que eu sou contra as lavagens cerebrais a criancinhas indefesas.

Arnaldoooooo disse...

Reforço o que foi dito pelo amigo Rui. Mais,....se bem me lembro eu estou no teu testamento....qualquer coisa como "herdar o PC Portátil"....pelo menos foi o que contaste quando foste pró estrangeiro à uns anos....

António Manuel Dias disse...

Este assunto é um simples exercício de listar todas as opções de vida de uma criança e escolher a melhor.

1. A criança maltratada/abandonada pelos progenitores continuar na família que a maltrata.

2. A mesma criança passar todos os seus dias numa instituição.

3. Ser entregue a uma família homossexual, previamente seleccionada pelo processo de avaliação que é suposto acontecer numa candidatura a adopção.

Pelo menos a mim, este exercício parece-me simples...

Anónimo disse...

Concordo plenamente. Mas esse tipo de "abertura intelectual" só será assumida e generalizada quando vivermos num Estado realmente laico, o que ainda hoje não acontece. Vê lá a questão do aborto... A mim esta ideia ninguém ma tira: a Igreja é quem está por trás de todos os "nojos" do legislador.

RS disse...

Minha cara,
Isso é que é por o dedo na ferida. Tanto barulho para nada... Como dizia o William. Se se pode adoptar uma criança sendo solteiro (homem) e conceber uma criança sendo solteira (mulher), qual é o problema? O problema é que "os dois" ou "as duas" querem ficar no cadastro como papás e mamás...
Com o casamento é o mesmo.
Esta batalha pelos "direitos" dos homossexuais põem-me os cabelos em pé. Afinal, existirá maior direito que o da privacidade? E estando salvaguardado esse direito, não estão os inerentes assegurados (como o direito à igualdade de oportunidades, por exemplo). O slogan "todos iguais" é muito infeliz acompanhado de "todos diferentes". É que somos mesmo todos diferentes e isso é que é belo. Quanto a sermos todos iguais, é uma daquelas utopias criadas por alguém que achava, certamente, que o ser-humano não tinha já bastantes motivos para ser infeliz.

O fascínio de alguns pelos rótulos ultrapassa-me...

Um abraço,
RS

Zariza disse...

Concordo e assino por baixo. O problema que existe a nivel de direitos ou não direitos dos homossexuais é tão simples como o facto de o nosso estado e as nossas leis se basearem ainda nos fundamentos da religião cristã... A unica razão pela qual ainda se negam direitos básicos de qualquer cidadão aos homossexuais prende-se somente com a suposta moral e familia tradicional. E pergunto eu:
-O que é uma familia tradicional??? Será que isso ainda existe hoje em dia??

Para terminar deixo aqui uma pequena coisa chamada "Direitos da criança" desafio qualquer um a encontrar um ponto onde diga que a criança tem direito a uma pai e uma mãe heterossexuais...

DIREITOS DAS CRIANÇAS

1- A criança deve ter condições para desenvolver-se física, mental, moral, espiritual e socialmente com liberdade e dignidade.

2- A criança tem direito a um nome e uma nacionalidade, desde o seu nascimento.

3- A criança tem direito à alimentação, lazer, moradia e serviços médicos adequados.

4- A criança deve crescer amparada pelos pais e sob sua responsabilidade, num ambiente de afecto e de segurança.

5- A criança prejudicada física ou mentalmente deve receber tratamento, educação e cuidados especiais.

6- A criança tem direito a educação gratuita e obrigatória, ao menos nas etapas elementares.

7- A criança, em todas as circunstâncias, deve estar entre os primeiros a receber proteção e socorro.

8- A criança deve ser protegida contra toda forma de abandono e exploração. Não deverá trabalhar antes de uma idade adequada.

9- As crianças devem ser protegidas contra prática de discriminação racial, religiosa, ou de qualquer índole.

10- A criança deve ser educada num espírito de compreensão, tolerância, amizade, fraternidade e paz entre os povos.

Retirado de "http://pt.wikipedia.org/wiki/Direitos_da_crian%C3%A7a"

virgolina disse...

Ipsis verbis, karvela!!! O facto de duas pessoas serem do mesmo sexo, não intervém negativamente na educação de uma criança. Antes pelo contrário. São pessoas mais sensíveis e vêem o mundo com outros olhos.As crianças que vemos ser maltratadas, nas notícias,são por hetero e não por homo

Sandra Cunha disse...

rs

"Todos diferentes, todos iguais" reflecte exactamente o respeito pelas diferenças. Por *mais diferente* que se seja, não se é melhor ou pior, inferior ou superior, não se tem menos ou mais direitos do que outro. A ideia é essa. Se é utópica? Pois sim, claro que é (infelizmente)!

Mas as mentalidades não se mudam num dia. O que é utópico hoje, poderá já não o ser daqui a algumas centenas de anos :)

Anónimo disse...

Olá, Karvela:

Reservei o este comment para o fim dos comments...

Tanto se fala nos direitos dos homossexuais... e tão pouco nos direitos das crianças...

... Se tu ainda fosses uma, gostarias que te entregassem a dois barbudos de unhas envernizadas e com iniciais no cinto das calças justas?...

... Irias gostar de chegar à escola com os teus papás de caminhar afectado e gestos larilas?...

... Por amor de Deus, Karvela!...

Queres dizer às crianças já de si infelizes e desprotegidas que "uma desgraça nunca vem só"?...

Tadinhas!... um xi para elas.