terça-feira, julho 18, 2006

Uma história

Quando tinha os meus 15 anos descobri o segredo para se ser temida quando se tem 1,20m de altura. Temos que fazer com que as pessoas pensem que somos loucas perigosas.
Esta história passou-se, então, há uns bons 12 anos, quando duas miúdas que estavam atrás de mim na camioneta da carreira, estúpidas, não paravam de dar safanões no banco, puxar-me o cabelo devagarinho, etc., tudo isto enquanto riam alarvemente. Eu devia estar naqueles três dias antes, depois ou durante o período, por isso a única reacção que tive foi virar-me para trás de repente e gritar como se me estivessem a violar enquanto me mostravam a foto do José Cid com o disco de ouro nas partes.

O silêncio que se fez naquela camioneta foi sepulcral. Nunca me senti tão envergonhada e tão realizada ao mesmo tempo. Elas calaram-se, o motorista foi o resto do percurso a olhar pelo retrovisor, mas eu ganhei uma coisa. Respeito. Ou medo que eu voltasse a fazer o mesmo. É a mesma coisa. Há duas semanas entrei numa loja onde uma das raparigas trabalha e o sorriso enorme de "oh não, a doida!" encheu-lhe a face.

Há menos de um ano voltei a fazer o mesmo. De manhã eu não existo. Ponto. Partam sempre do pressuposto que eu não estou bem. Digo "bom dia" quando chego à paragem e se não ouvirem deixem-me em paz que eu agora estou a dormir em pé. Havia dias e dias e dias que uma senhora que eu conheço esperava para entrar na camioneta para me dizer, com uma decibelagem desajustada para a hora em questão: "BOM DIA, AO MENOS DIZ-SE BOM DIA ÀS PESSOAS!". Numa das vezes não resisti: "BOM DIA! SE EU FALAR ALTO JÁ ME OUVE? BOM DIA!"
Mais uma vez tive que suportar o olhar de asco do condutor. Mas até hoje a senhora dá-me um bom dia muito calmo e sorridente para que a louca perigosa não volte a atacar, e desta vez com uma faca de mato.

Queria muito ter uma moral da história, um encerramento bonito... mas não tenho. Na verdade só venho dar mais argumentos a algum psi que me queira internar.

Karvela

5 comentários:

Anaoj disse...

A minha forma de meter respeito também é de passar por louca perigosa.

Por isso, no meio de uma conversa, digo uma palavra aleatória, por exemplo alcachofra, pego no objecto mais próximo de mim, por exemplo, uma colher de gelado, rio-me maleficamente e tenho dois espasmos no olho direito.

É bom inspirar temor nas outras pessoas.

Piu disse...

Ahahahahahahahahahahah!
Também já recorri a essa táctica! Resulta, sem dúvida! ;)

rititas disse...

quem me dera ter feito isso Às 3 miudas mais irritantes de Corroios que uma vez na paragem do autocarro me roubaram umas folhas e uns blocos daqueles perfumados e com desenhos carinhosos de dentro da minha mochila... Eu senti-as a mexerem na minha mala mas não fiz nada. Estava com demasiado medo.

Anónimo disse...

...isa,
moral da história...nunca te metes com uma pessoa, pois ñ sabes se essa pessoa é pior ou melhor do k tu!
Tipo eu! Pekenina, ssogadita, delicada...excepto qdo me chateiam os cornos e desato às caralhadas!

kramer disse...

E há alguém que irá acordar ao lado desta doida varida matinal durante muito e muitos dias. Só pode ser louco ou masoq.